18 de abril de 2014 às 18:17
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Euro 2012

Só a frieza de um basco para aquecer o 'bailarico' da Espanha

Xabi Alonso foi o herói improvável que derrotou a França e colocou a Espanha como adversário de Portugal nas meias-finais do Euro. Facto 1: a Roja tem soluções para todos os problemas. Facto 2: os 'galos' têm muitos egos e poucos poleiros - e para esse problema não há solução. Clique para visitar o dossiê Euro 2012
Bruno Roseiro (www.expresso.pt)
A Espanha "arrumou" a França por 2-0 Juan Medina/Reuters A Espanha "arrumou" a França por 2-0

Uma imagem vale mais do que mil palavras. No final do jogo, nem foi só uma. Ou melhor, foi uma de cada vez - os espanhóis celebravam como se tivessem acabado de ganhar o Euro, os franceses estavam com olhares vazios de quem sabe que aconteceu qualquer coisa mas não sabe ao certo o quê. É natural - a Espanha ganhou por 2-0 à França sem nunca ter acelerado muito e meteu a terceira vitória para chegar às meias-finais do Euro, onde terá agora pela frente... Portugal.

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Xabi Alonso, o médio que se destaca muitas vezes pelas características mais defensivas e posicionais, foi o herói improvável que marcou os dois golos... à avançado: primeiro, com um cabeceamento a apanhar Lloris em sentido inverso; depois, de grande penalidade à antiga - bola para um lado, guarda-redes para o outro. É certo que a Espanha só fez nove remates (cinco enquadrados com a baliza) mas a França, abatida pelas guerras internas após a derrota com a Suécia, acertou no alvo... uma vez.

O MINUTO 19', o golo da Espanha. A França queria retardar ao máximo o primeiro golo dos campeões europeus e mundiais e até estava a conseguir travar o trio David Silva-Iniesta-Fàbregas mas esqueceu-se que, com um adversário assim, o perigo pode vir de qualquer lado. E veio: grande arrancada do lateral Jordi Alba pela esquerda, cabeceamento de Xabi Alonso sozinho na área. E o jogo... acabou 

O MOMENTO A entrada de Pedro Rodríguez, que até tinha sido apontado por alguma imprensa como possível titular mas não demorou a mostrar que talvez tivesse merecido a oportunidade: ainda os defesas franceses estavam a meter a primeira já o avançado do Barcelona andava com a quarta de prego a fundo. E foi numa dessas arrancadas que sofreu a falta que originou o penálti que decidiu o encontro (o segundo convertido neste Euro, depois do falhanço de Karagounis com a Polónia e da transformação de Gekas, com a Alemanha) 

O HERÓI Xabi Alonso, o quinto espanhol a chegar às 100 internacionalizações (só Casillas, Zubizarreta, Xavi e Raul tinham alcançado a marca) que comemorou o feito da melhor forma com uma exibição portentosa coroada com dois golos. Numa família ligada ao futebol (o pai, Periko, esteve no Mundial de 1982 e é treinador; o irmão Mikel atua nos ingleses do Charlton; e o irmão Jon é... árbitro), o basco continua a dar cartas. E só não brilhou mais porque Lloris não se deixou enganar com um remate do... meio-campo 

A ESTRELA Neste caso duas, tantas como os títulos da Roja em grande competições nos últimos quatro anos: Casillas, o capitão, e Xavi, o 'vice'. Representam níveis distintos do futebol espanhol (um é o último a defender, outro o primeiro a atacar; um evita golos, outro dá a marcar; um é canhoto e do Real Madrid, outro destro e do Barcelona) mas, juntos, são a força que equilibra, alimenta e dá alma a uma equipa que já joga de olhos fechados. Com um a tratar dos cinco elementos mais recuados que bem conhece do Real e outro a dominar os quatro jogadores mais atacantes que bem conhece do Barça 

O JOKER Jordi Alba, o elemento 'estranho' da equipa - não atua em nenhum dos dois gigantes da Liga espanhola nem no colosso Manchester City - que continua a brilhar no Euro (concorre com Philip Lahm e Ashley Cole pelo título de melhor lateral esquerdo da prova) e arrancou a melhor exibição no torneio exatamente no encontro em que o adversário, a França, colocou um elemento apenas e só para travar as subidas do jogador do Valencia. Para nada, como se viu: estava Alba a centrar para o golo de Xabi Alonso e andava Debuchy a tentar levantar-se... do chão

O VILÃO Nasri, melhor jogador da França contra a Inglaterra, um dos melhores com a Ucrânia, um dos piores com a Suécia, o pior com a Espanha. Laurent Blanc não perdoou a 'pega' com Diarra (o médio do Marselha também foi 'castigado', tal como Ben Arfa que chegou a ameaçar sair mais cedo da seleção...) e colocou o campeão do Manchester City no banco mas os 25 minutos que esteve em campo pareceu andar chateado com a vida, sem a mínima chama para acender a esperança francesa. Entrou para somar mas foi menos um 

O SEGREDO A pressão da Roja, nem sempre tão alta como é habitual mas capaz de neutralizar qualquer investida dos dois focos de perigo franceses, Benzema e Ribery. Às vezes foram parados com falta - o extremo do Bayern teve mesmo de trocar de camisola porque a inicial estava toda rasgada - mas o que mais interessava, evitar que criassem perigo para a baliza de Casillas, foi cumprido. Toda a restante tática (mais posse de bola, mais passes, etc.) foi... mais do mesmo

O ERRO Contra a Espanha, todos querem construir uma malha que dê nós cegos ao futebol rendilhado dos pequenos gigantes do meio-campo mas no final dos jogos há sempre a consciência que a manta ficou curta. E esse lapso, comum a todos, afetou em demasia a França: Debuchy, o lateral adaptado a extremo direito, correu muito mas jogou pouco; Malouda, o antigo extremo que agora atua como interior, corre muito mas joga cada vez menos; Benzema e Ribery andaram a correr muito... para nada 

O NÚMERO 7, o número de jogadores do Real Madrid que estarão em campo no duelo ibérico de quarta-feira. Casillas, Arbeloa, Sergio Ramos, Pepe e Coentrão, o quinteto defensivo tantas vezes utilizado por José Mourinho na presente época, mais Xabi Alonso e Cristiano Ronaldo. Do rival Barcelona 'só' deverá haver cinco: Piqué, Busquets, Xavi, Iniesta e Fàbregas. Ou seja, mais de metade dos 22 prováveis titulares 

O ACONTECIMENTO A Espanha quebrou um longo jejum - nunca tinha ganho à França em encontros oficiais, vingando agora um total de cinco derrotas (sobretudo a de 2006, a última, nos 'quartos' do Mundial) e um empate (1-1, no Europeu de 1996). Já no cômputo geral, entre jogos 'a sério' e particulares, a Roja até reforçou a hegemonia: 14 vitórias, seis derrotas e cinco empates 

O AMANHÃ Malouda dizia, a propósito das guerras no balneário francês, que parecia que estavam todos de férias em Punta Cana. Essa imagem pode agora ser uma realidade - os gauleses pagaram caro a atitude de turistas no jogo com a Suécia, o último da fase de grupos, e já estão a fazer as malas para irem mais cedo descansar. A Espanha continua a perseguir o sonho de ser a primeira equipa a ganhar dois Europeus seguidos e três grandes competições consecutivas. Mas pela frente terá agora... Portugal 

FICHA DE JOGO Estádio Donbass Arena, Donetsk (Ucrânia). Árbitro: Nicola Rizzoli (Itália). Espanha: Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Piqué, Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso, Xavi; David Silva (Pedro Rodríguez, 65'), Iniesta (Cazorla, 84') e Fàbregas (Torres, 67'). Treinador: Vicente del Bosque. França: Lloris; Réveillère, Rami, Koscielny, Clichy; M'Vila (Giroud, 79'), Cabaye, Malouda (Nasri, 64'); Debuchy (Ménez, 64'), Ribéry e Benzema. Treinador: Laurent Blanc. Golos: 1-0, Xabi Alonso (19'); 2-0, Xabi Alonso (90+1'). Cartões amarelos: Sergio Ramos (31'), Cabaye (42') e Ménez (76')

 

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Espanha arrumou França???
Quem viu o jogo percebe facilmente que foi a própria França que autodestrui-se frente a Espanha, o treinador da Selecção Francesa deve ter tido pesadelos com os Espanhois e montou uma equipa bizarra....

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