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"Skins": Sexo e drogas para menores de 18

A série "Skins" está a criar polémica ao mostrar adolescentes em situações de risco. A ousada versão americana chega à televisão portuguesal em maio e, de olhos nos jovens, coloca em causa a imagem dos pais 
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Nos EUA, a série teve mais de três milhões de espectadores na estreia. Os pais norte-americanos, contudo, não querem que os filhos assistam a Skins

A mistura não podia ser pior: adição sexual, noitadas, distúrbios alimentares, consumo excessivo de drogas recreativas e de álcool, problemas de relacionamento com os pais, bullying, depressão e isolamento social, aborto, suicídio. E como se não bastasse, tudo acontece com adolescentes. Como seria recebida em Portugal uma série televisiva com este conteúdo e, ainda por cima, intitulada "Mortalhas" ("Skins")?

A partir da terceira semana de maio os portugueses poderão assistir na MTV à versão norte-americana de "Skins". A emissora já transmitiu cá quatro temporadas da série original britânica e, confrontada pelo Expresso, a porta-voz diz que nunca foram apresentadas queixas relativas ao enredo.

A série original foi produzida por Bryan Elsley, que resolveu pedir ajuda do seu filho de 19 anos para aproximar-se o mais possível da realidade dos liceus britânicos. Estreou no Reino Unido em 2007, tendo registado uma audiência média de 1,5 milhões de espectadores, e apenas em janeiro deste ano chegou aos Estados Unidos, sempre envolta em contestação. Dos dois lados do Atlântico a opção foi por atores com pouca ou nenhuma experiência profissional e que são chamados a colaborar na redação do argumento. Aliás, a idade média dos redatores é de 21 anos e mesmo as escolhas musicais da banda sonora de "Skins" serão aconselhadas por adolescentes, de acordo com um artigo da revista americana "Newsweek". Sempre em nome do realismo. E é este justamente um dos problemas: serão os adolescentes tão selvagens quanto as personagens?

Nos Estados Unidos, a série teve mais de três milhões de espectadores na estreia, tendo a média descido para cerca de um milhão nos episódios seguintes. Os pais norte-americanos, contudo, não querem que os filhos assistam a "Skins". Um Comité de Pais para a Televisão até já arrancou com uma campanha para afastar os anunciantes da série e, de acordo com notícias recentes, está a ter sucesso neste objetivo.

Pelo buraco da fechadura


Tudo começou no Reino Unido, onde "Skins" é sinónimo de mortalha, a fina folha de papel em que se enrola o tabaco. A série acompanha o quotidiano de um grupo de adolescentes, aparentemente banais. O tom é de documentário, aproximando-se dos reality shows e estimulando a sensação de que o espectador olha pelo buraco da fechadura da vida daqueles jovens.

Tony é a personagem principal, o arrogante, giro e popular conquistador, um líder nato. Sid na versão britânica ou Stanley na americana é o miúdo que quer apenas perder a virgindade, Cassie ou Cadie é a adolescente que sofre de anorexia devido à reduzida autoestima, Maxxie ou Tea é a personagem homossexual. Mas há mais jovens à volta dos quais o enredo se desenvolve e todos os episódios são vividos no limite, como se a vida acabasse no dia seguinte.

Caracterizada pela busca de naturalidade, irreverência e pela sinceridade com que aborda as experiências das personagens, "Skins" não se afasta do dia a dia real dos jovens britânicos. Pelo menos, na opinião de Nuno Torres, investigador do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA), especializado nesta faixa etária e que viveu mais de sete anos na Inglaterra. "A cultura inglesa é mais permissiva, tem maior tolerância aos excessos sexuais, de consumo de álcool ou comportamentos violentos, sobretudo quando acontecem nos períodos noturnos", afirma. Esta constatação parece também fundamentada no relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) de 2007 sobre bem-estar juvenil, que classifica o Reino Unido e os Estados Unidos na pior posição no que toca aos relacionamentos familiares e comportamentos de risco. Portugal, que também aparece no estudo, revela uma melhor relação dos jovens com as famílias, embora também esteja mal colocado nos comportamentos arriscados.

Questionado sobre programas com este tipo de enredo, o professor catedrático de Psiquiatria e Saúde Mental Daniel Sampaio recomenda que nunca os jovens com menos de 16 anos assistam a séries controversas sem a presença de um adulto: "O impacto é maior se visionarem sozinhos."

Sobretudo, importa não esquecer que, como explica Nuno Torres, "a adolescência é um período caracterizado pela contradição, turbulência e pela experimentação. Não só de comportamentos como de pensamentos de risco. É a fase dos ideais, de colocar em causa a ordem social. Um período interessante mas que tem de ser acompanhado com cuidado". E não deixa de sublinhar que, se uma série deste tipo pode ajudar no debate sobre as causas profundas dos comportamentos juvenis, o especialista também alerta que os comportamentos retratados "são patológicos". Então, a pergunta acaba por permanecer: serão os jovens conscientemente como os vemos retratados em "Skins" ou são crianças grandes sem noção do que fazem?

Publicado na Revista Única a 5 de Março de 2011


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a série mostra a realidade
e o grande drama no nosso país é, essa mania muito nossa, de esconder sempre tudo... Esta geração está entregue a eles próprios, os pais apenas abrigam e sustentam, jamais educam. Daí o drama.
Para quando uma série
sobre os jovens de famílias tradicionais, educados com valores, que (ainda) são a maioria?

Conheço muitos jovens que estudam e/ou trabalham, têm namoros ou constituiram família, resolvem os problemas com ajuda dos pais e familiares e nunca se drogaram.

Está na altura de deixar de olhar para estes como se fossem aves raras: que raio de exemplo é que queremos que os jovens sigam quando publicitamos o pior que existe como se fosse o normal?

Re: Para quando uma série
Skins
O pior do comportamento dos adolescentes servido em formato televisivo, em nome de uma pertença aproximação à realidade juvenil. E porque não uma série televisiva juvenil com outro paradigma comportamental mais próximo da realidade do dia a dia.
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