Sinto muito: enganei-me na rotunda e acabei o dia a matar elefantes
Se o assunto não fosse sério teria achado graça à forma sui generis como o Rei Juan Carlos, meio apardalado, se saiu ontem ainda no hospital, com um "sinto muito, enganei-me e não voltará a acontecer" ( a sério?Ninguém diria...) para tentar de alguma forma amenizar a revolta que se gerou em torno deste infeliz "episódio".
A pergunta que se impõe é esta: pediu perdão pelo quê, efetivamente? Este pedido (tão genérico) é dirigido ao povo espanhol por (supostamente) ter gasto dinheiro do erário público para divertimentos sádico-privados (em plena crise económica), aos elefantes em geral por ter participado no seu abate cobarde promovendo a estupidez que envolve este género de atividades, ao comum dos mortais (independentemente do país, raça, credo ou orientação política) que se mostraram (e foram tantos) profundamente indignados ou ainda, e finalmente, um perdão por ter sido apanhado e, inevitavelmente, não poder continuar a fazer aquilo que tanto parecia apreciar - dar uns tiros na bicharada selvagem de vez em quando?
Desculpem, perdi-me ali nas Puertas del Sol depois de comprar umas pantufas de pelinho e enfardar dois montaditos e acabei no Botswana de arma na mão com um elefante morto nas costas. Assustei-me, dei um tombo e parti-me todo. É isto? Vou comprar um GPS e nunca mais volta a acontecer. Palavra de King!
Seja o pedido de que formato for, eu, como ser humano, não o aceito. E se alguém conseguir, em consciência, fazê-lo, dou-lhe os parabéns pela humanidade (ou falta dela). Não sei bem definir isto. Estamos a falar de uma pessoa de 74 anos que, goste-se ou não do estilo, continua a ser o chefe de uma casa real europeia. Pessoa que deveria ser um exemplo para quem o admira, respeita e sustenta e não comportar-se como um garoto de cinco anos que fez um disparate no recreio da escola e que envergonhado por ter sido apanhado ( e só por isso) , se sai com um sintético e inóspito "sinto muito, enganei-me e não voltará a acontecer."
Mais um tiro, agora em cheio no pé - como o neto.
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