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Sines pode receber gás americano mais barato

O secretário de Estado da Energia revela que o mercado ibérico vai ter acesso a gás norte-americano com preços bastante inferiores ao gás natural africano.
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"Sines é um porto com capacidade ideal para receber este gás, que depois poderá ser distribuído pela rede de gasodutos existente em Portugal e Espanha", diz o secretário de Estado Artur Trindade
"Sines é um porto com capacidade ideal para receber este gás, que depois poderá ser distribuído pela rede de gasodutos existente em Portugal e Espanha", diz o secretário de Estado Artur Trindade

Portugal "está em condições de poder receber gás norte-americano - muito mais barato que o gás natural de origem africana ou russa - através do terminal portuário de Sines", revela ao Expresso o secretário de Estado da Energia, Artur Trindade.

O governante explica que esta nova alternativa de abastecimento de gás reduz a dependência ibérica e europeia face aos produtores tradicionais, sobretudo em relação às empresas de energia russas que controlam boa parte dos fornecedores de gás que abastecem a Europa.

Num momento em que a tensão nas relações entre a União Europeia e a Rússia aumentou por causa da crise na Ucrânia - o contencioso já envolve o embargo russo aos produtos agrícolas europeus -, Artur Trindade explica que "podemos tirar partido dos frutos da última visita oficial aos EUA, em que o Governo português promoveu, com sucesso, um encontro entre as empresas de energia que operam em Portugal e os fornecedores de gás não convencional norte-americanos".

Preços mais baixos

"O mercado do designado shale gas, ou gás de xisto, tem preços muito mais baixos que os que são praticados para o gás natural na Europa e constitui uma boa base para ter fornecedores alternativos de gás destinado aos consumidores ibéricos", explica Artur Trindade.

Estes contactos não se ficaram pelas palavras e foram firmados contratos de abastecimento. "Um dos primeiros contratos foi firmado pela Endesa, que poderá começar a receber gás norte-americano a partir de 2016, o que no setor do gás é um prazo muito curto", refere o secretário de Estado.

"Sines é um porto com capacidade ideal para receber este gás, que depois poderá ser distribuído pela rede de gasodutos existente em Portugal e Espanha, com a vantagem deste gás ter preços muito convidativos para os consumidores do mercado ibérico", adianta Artur Trindade.

Reduzir e uniformizar preços do gás

O grande aumento da extração de gás não convencional nos EUA - habitualmente referido como gás de xisto, também extraído de solos de ardósia - contribuirá para reduzir a uniformizar o preço do gás a nível mundial, refere a seguradora Crédito y Caución no estudo "Gas Market Outlook". Para a convergência dos preços do gás a nível mundial contribuirá igualmente o aumento da distribuição do gás natural liquefeito (GNL), considera a seguradora.

Ao contrário do mercado dos produtos petrolíferos, que está globalizado, o mercado do gás tem atualmente grandes diferenças de preços regionais, com os países asiáticos a pagaram o gás por um preço seis vezes mais elevado que nos Estados Unidos, onde o baixo custo do gás de xisto tem vindo a pressionar a queda de preços de mercado.

A Crédito y Caución considera que nos próximos anos vai assistir-se a uma convergência de preços do gás, levando à uniformização dos seus custos em todo o mundo. Por enquanto, não existe um mercado global para o gás, dividindo os grandes grupos de consumidores e três grandes mercados regionais que não se encontram ligados entre si, designadamente, os Estados Unidos, a Ásia e a Europa, sendo neste último mercado que se praticam preços intermédios.

Rússia controla 26% do mercado mundial de gás

A Rússia controla 26% do comércio mundial de gás através de gasodutos, sendo a principal fonte para os consumidores europeus. Os Estados Unidos estão interligados ao Canadá e ao México. A região mais recente no mercado do gás é a Ásia, que produz 12% do produto extraído, embora já seja responsável pelo consumo de 22% do gás mundial.

Foram precisamente as crescentes necessidades de consumo da Ásia que motivaram o desenvolvimento da tecnologia alternativa ao gás canalizado e transportado pela via dos gasodutos, e que é o GNL, que tem custos superiores e implica o arrefecimento do gás a temperaturas muito negativas (até -162ºC) e que alteram o seu estado gasoso para líquido, reduzindo o seu volume 600 vezes.

O GNL começou a ser produzido no início da I Guerra Mundial - em 1914 - mas só começou a ser utilizado em grande escala em 1964, pela Argélia, para poder abastecer os mercados francês e italiano. A Crédito y Caución diz que atualmente "o GNL corresponde a três quartos do comércio de gás entre continentes, especialmente do Médio Oriente à Ásia."

EUA com energia mais barata

Segundo o estudo, "os preços do gás na Ásia triplicaram e são atualmente os mais elevados do mundo, enquanto na Europa os preços do gás apenas duplicaram e, ao invés, nos Estados Unidos, os preços não deixaram de cair".

"Desde 2005, a produção de gás natural nos Estados Unidos acumulou um crescimento de 26% e esse é um dos principais fatores que explica esta evolução com preços favoráveis", refere o estudo. A extração de gás de xisto e de ardósia nos EUA é feita por perfuração horizontal, com fratura hidráulica de rochas, e "tem permitido aumentar a sua produção, passado dos 11 biliões de metros cúbicos em 2000 para os 287 biliões em 2012", adianta o estudo.


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Saldos de início de época, sempre bem-vindos!!
Depois da desestabilização da Euro-Ásia, com a guerra da Ucrânia e do apoio a grupos armados na Síria, incluindo o ISIS agora bombardeado, por ser um perigo para os poços petrolíferos da BP, Shell, Chevron e Total, no Curdistão nada melhor para atacar a europa, do que a península ibérica.

É óbvio que o preço será de amigo no início... afinal de contas fazer um simples furo, não é o mesmo que fazer um furo, mandar água misturado com productos químicos, para retirar gás microscópico no meio de rochas... "é mais barato, dizem eles"...

Eu sabia que eles íam atacar... mas não sabia que os EUA estavam tão desesperados...

Bem... aproveitem as promoções, mas não sejam lorpas...
Parece ser uma boa solução
A nossa posição geográfica pode servir de plataforma de fornecimento de gás à Europa, abrandando a prepotência Russa.

Se ainda por cima o gás for mais barato no consumidor, então será ouro sobre azul.

Podemos não ter petróleo, mas temos uma posição geográfica que podemos valorizar, assim saibamos 'jogar às cartas' no mundo da energia.

Mas sinceramente não acredito que tenhamos capacidade para reverter a nosso favor, as dificuldades dois outros, embora seja isso que os outros países fazem.
Boa análise...
Concordo inteiramente...
R: Obrigado
O grande problema é o transporte de grandes
R: Se for mais caro que o argelino, nada feito
PArece que efectivamente é mais barato
Mais mentiras!
Substituir uma dependência por outra muito mais penosa parece ser o cego objectivo da UE e muitos dos governos acéfalos europeus. Porque a sua intenção é aproveitarem-se de crise ucraniana para isolar e eventualmente destruir a Rússia, os americanos continuam a mentir maliciosa e descaradamente, desta vez àcerca da sua “capacidade” para substituir a Rússia no fornecimento de gás natural à Europa. Além de menos sustentável e mais gravoso para o ambiente, o custo de producão de gás de xistos é várias vezes superior ao custo de produção do gas natural convencional. Isto para não falar das infraestruturas necessárias à sua distribuição QUE NÃO EXISTEM. Além disso, as reservas provadas de gás natural russo são muito superiores as efémeras reservas totais americanas. Uma perspectiva elucidativa que todos deveriam ler é dada por F. William Engdahl, Global Research (www.globalresearch.ca/replacing-russian-gas-deliveries-with-us-shale-gas-washingto n-lies-to-the-eu/5377358). Talvez, então, possamos evitar mais um erro de palmatória que como de costume “nós” os palermas teremos de pagar!
Vamos ser pragmáticos!
Sempre ouvi dizer que não se deve comprar material de guerra a um só fornecedor.....
Estamos dependentes de africanos e russos, com não há duas sem três, vamos a isso!
Podemos de imediato baixar a factura energética. Bem necessitamos......
Para os clientes o preço continuará a subir
Gás natural mais barata significa que as operadoras vão ganhar mais já que não só não baixam os preços de venda como o vão aumentar evocando a subida do preço do petróleo que praticamente nada influem no preço de compra!
Portugal é um aviário de governantes!
Eis mais um especialista da equipa que comanda a nave Portugal! Não é formado na área da energia, nada percebe de energia e cujos paupérrimos conhecimentos sobre o gás natural e sobre a energia eléctrica foram adquiridos à hora do café em amenas e prolongads conversas com as secretárias dos verdadeiros especialistas e os escritos que publicou foram feitos á custa dum cozinhado de documentos que as ditas secretárias alinhavaram na esperança de voos mais altos, E por tão alta demonstração do domínio da matéria, o nabo maior por influência dos barões do partido logo o indigitou par tão alto cargo da nave! Pode concluir-se que jovens do secundário com média de doze fariam melhor trabalho!
Preço mais barato = mais lucro para os operadores
Compra de gás mais barato mas os preços no consumidor final continuarão a subir com a conivência do Reguladore e sempre indexados ao preço do petróleo que tem muito pouca influência na formula dos preços
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Edição Diária 17.Abr.2014

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