Sindicalistas vão voltar a 'assaltar' supermercados
"Alguém tem de fazer alguma coisa para as famílias continuarem a comer." É desta forma que Sánchez Gordillo - responsável pelo 'assalto' de terça-feira a uma rede de supermercados, na Andaluzia, com o objetivo de arranjar alimentos para uma cantina social - diz ao "El País", que a sua luta não vai parar.
Gordillo garante que vão fazer mais ações e afirma que não pretende fugir. O ministro da Administração Interna, Jorge Fernández Díaz, já deu ordem de prisão para Gordillo e os restantes autores do 'assalto'.
O líder operário não parece preocupado e defende que por ser deputado regional terá de ser o Supremo Tribunal de Justiça da Andaluzia a determinar a sua ordem de prisão.
Ao diário espanhol explica ainda que organizou o assalto de modo a que as autoridades não o conseguissem impedir. "Fiz uma manobra de distração para a polícia me seguir, assim os meus colegas entraram no supermercado e tiraram os carros com os alimentos."
A ação foi levada a cabo pelo grupo do Sindicato Andaluz de Trabalhadores. Gordillo ficou à porta dos supermercado da rede "Mercadona", em Écija (Sevilha) e Arcos de la Frontera (Cádiz), de megafone na mão, a dirigir as operações.
O grupo defende que não se trata de um assalto, mas sim de uma "expropriação forçada" de alimentos de primeira necessidade. Os sindicalistas encheram carros de compras com produtos como azeite, açúcar, arroz, massa, leite, bolachas e legumes que passaram depois pelas caixas sem pagar.
Juan Manuel Sánchez Gordillo está desde o fim do franquismo ligado a movimentos de extrema esquerda. É alcaide de Marinaleda, desde 1979, onde já liderou revoltas de ocupação de terras. Em 2008, foi eleito deputado do Parlamento da Andaluzia, representando a província de Sevilha.


