Mais de 67 por cento dos irlandeses votaram a favor do Tratado de Lisboa, anunciou hoje a comissão eleitoral irlandesa depois de estar concluída a contagem da totalidade dos sufrágios do referendo de sexta-feira.
O "sim" obteve 67,13 dos votos, referiu a comissão eleitoral.
Segundo dados oficiais, o "não" ao Tratado obteve 32,9 por cento dos votos e o indíce de participação foi de 58 por cento, mais cinco pontos percentuais do que o valor registado na primeira consulta de 2008, quando o eleitorado irlandês rejeitou o documento.
O "sim" ao referendo ao Tratado de Lisboa
já vencia com larga vantagem nas duas primeiras circunscrições onde, ao início da tarde, já está concluída a contagem de votos, segundo os primeiros resultados oficiais anunciados.
O primeiro resultado oficial hoje divulgado era referente à circunscrição de Tipperary-sul, no sul da Irlanda, onde o tratado tinha sido rejeitado em 2008 e onde hoje o "sim" obteve 68,42 por cento e o "não" não ultrapassou 31,58 por cento.
No primeiro referendo no ano passado, que terminou com a rejeição do Tratado de Lisboa, o "não" obteve 53 por cento das intenções na circunscrição de Tipperary-sul.
O segundo resultado oficial referente à circunscrição de Kildare-norte, no leste do país, também indica um avanço do "sim", que obteve 76,19 por cento dos votos. O "não" ficou com apenas 23,8 por cento dos votos.
À espera da ratificação da Polónia e República Checa
Os resultados definitivos da contagem dos votos das 43 circunscrições referentes ao referendo de sexta-feira, que começaram oje às 9h00 locais (mesma hora em Lisboa).
Uma sondagem à boca das urnas realizada junto de mil eleitores em 33 localidades do país revelava que o "sim" deverá obter mais de 60 por cento.
A 12 de Junho de 2008, 53,4 por cento dos eleitores irlandeses "chumbaram" o Tratado Reformador das Instituições Europeias, ou Tratado de Lisboa, num primeiro referendo, impedindo a aplicação do texto, que só pode entrar em vigor depois de ratificado por todos os 27 Estados-membros UE.
Além do "sim" no referendo irlandês, o Tratado de Lisboa tem ainda de ser promulgado pelos presidentes da República Checa, Vaclav Klaus, e da Polónia, Lech Kaczynski.
Para assegurar a realização de uma segunda consulta - a Irlanda está constitucionalmente obrigada a referendar qualquer Tratado internacional -, os líderes europeus aceitaram dar garantias a Dublin sobre a manutenção da autonomia política interna em questões "sensíveis" para o eleitorado: neutralidade, fiscalidade, direitos laborais, aborto.