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Silhades: história e património submerso

Rodeado de paisagens bucólicas, o lugar de Silhades, na freguesia do Felgar, concelho de Torre de Moncorvo, é um local místico, onde o tempo passa devagar e a natureza pode ser contemplada no seu estado mais puro. Os habitantes do Felgar guardam memórias não muito distantes deste sítio, onde, até há cerca de 4 décadas atrás, pernoitavam nas campanhas da azeitona ou da amêndoa.  
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Felgar, Silhades, Moncorvo, barragem, Baixo sabor
Felgar, Silhades, Moncorvo, barragem, Baixo sabor / Jornal Nordeste/ Teresa Batista

As casas de xisto, algumas delas em ruínas, rodeiam a capela de S. Lourenço, que se ergue mesmo no centro do povoado impregnado de história. Nos registos do Instituto Português do Património Arquitectónico é feita referência ao sítio de Silhades como um lugar de interesse arqueológico. Aliás, este património está em vias de classificação desde 2004. Na nota histórica é referido que é um núcleo de povoamento utilizado desde a Idade do Ferro, onde foram recolhidos artefactos que apontam para a existência de um povoado fortificado. Além disso, foram recolhidos vários fragmentos cerâmicos, que remontam à época romana.

Mais distantes dos marcos históricos estão as memórias dos populares, que associam aquele local às lides agrícolas. "Antigamente, não havia semana nenhuma que não fosse para lá. Na época da azeitona chegava a ficar lá durante um mês e durante a apanha da amêndoa também. Agora vai-se com sol e vêm-se com sol, porque há carros, mas antes ia-se a pé ou em animais", recorda Augusto Neves, de 75 anos.

Também José dos Santos lembra os tempos em que ia trabalhar para as ladeiras.

"Cheguei a dormir muitas noites em Silhades. Tínhamos lá casas e ficava mais perto, porque eram dias e dias de trabalho. Quando iam os ranchos à azeitona, as pessoas dormiam lá nas casas", recorda este habitante de 87 anos.

EDP vai brindar a freguesia do Felgar com um Centro de Interpretação e Reabilitação Animal

Já o presidente da Junta de Freguesia do Felgar, António Manuel Gonçalves, lembra que Silhades terá sido o berço da freguesia.

"Reza a lenda que as pessoas eram atacadas por mosquitos à beira rio. Então vinham para a parte de cima folgar. Dizem que foi a partir daí que surgiu o Felgar", conta o autarca.

A par de ser um vale agrícola fértil, povoado, maioritariamente, com oliveiras e amendoeiras, aquele local também tem um forte simbolismo religioso. Todos os anos, em Agosto, a população do Felgar faz uma romaria com procissão até à capela de S. Lourenço.

Para preservar o seu significado religioso, a capela de S. Lourenço vai ser transladada para uma zona mais alta, onde vai ser criado um miradouro, com uma zona de lazer, sobre o rio Sabor. " Com a construção da barragem do Baixo Sabor, o vale vai ficar todo inundado, incluindo o lugar de Silhades", reforça António Gonçalves.

Na óptica do autarca, a construção da albufeira não vai afectar a economia da freguesia, visto que grande parte dos terrenos agrícolas já não são cultivados. "Se fosse há 30 ou 40 anos atrás seria uma catástrofe para a economia do Felgar.

Agora já ninguém vive directamente da agricultura. Só há 2 ou 3 pessoas que ainda trabalham para proprietários de terrenos", justifica o autarca.

Quanto aos benefícios trazidos pela barragem, António Gonçalves afirma que é uma incógnita. "Felgar é a freguesia mais afectada. Quanto aos benefícios só esperando para ver", acrescenta.

Para já, a EDP comprometeu-se a criar na freguesia um Centro de Interpretação e Reabilitação Animal, que poderá atrair turistas ao Felgar.

 

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