Siga as pisadas de Indiana Jones

O consultor americano Stephan Shapiro diz-lhe como fazer da inovação uma constante no seu negócio.
(www.expresso.pt)
Siga as pisadas de Indiana Jones Creative Location/Flickr

Quando o assunto é inovação é importante ter dois princípios em mente: 1. Sem tempo, dificilmente os seus colaboradores conseguirão ter novas ideias; 2. Sem observar e escutar os clientes dificilmente conseguirá dar-lhes aquilo que eles precisam, mesmo que ainda nem se tenham apercebido da sua falta.

No livro "Best Practices Are Stupid - 40 Ways to Out-Innovate the Competition", Stephan Shapiro, partilha 40 dicas para inovar na sua empresa. E não, não precisa de ter o chapéu e o chicote de Indiana Jones, mas também pode aprender algumas coisas com ele. A Exame Brasil resumiu 3 dicas de Shapiro para se inspirar.

O exemplo de Indiana Jones


Talvez não se recorde, mas Indiana Jones era professor de arqueologia, antes de partir em busca da arca perdida. Segundo Shapiro, a sua coragem em ir para o terreno deveria ser seguida por todos os executivos. É útil analisar todos os dados que consegue sobre os clientes - hábitos de compra, padrões de consumo -, no conforto do gabinete, mas não é suficiente. Não só está apenas a debruçar-se sobre os que já são seus clientes e não sobre os que ainda não conquistou, como é fundamental observar as pessoas.

Shapiro dá o exemplo da Whirpool, que desenvolveu uns 'pés' para as máquinas de lavar roupa, depois de ter observado uma mulher que tinha colocado a sua sobre blocos de pedra para eliminar a necessidade de se baixar. "O verdadeiro tesouro pode ser encontrado quando você sai do escritório, coloca o seu chapéu de feltro, pega no chicote e estuda os clientes com os seus próprios olhos", diz o consultor. É fundamental observar os clientes em vez de tentar recolher a opinião deles sobre os seus produtos. Assim, pode descobrir desejos e necessidades que de outra forma nunca chegariam ao seu conhecimento.

A lição dos alpinistas e o urso


"Não é o mais forte que sobrevive, mas o mais adaptado", é um dos títulos do livro de Shapiro. Aqui ele cita a história dos alpinistas que tentam fugir de um urso, em que um deles calça os ténis, não para correr mais depressa do que o urso, mas na esperança de conseguir correr mais rápido que o companheiro. No mundo dos negócios as coisas não são muito diferentes: há que estar sempre um passo à frente da concorrência, se não quer ser devorado. "Quando o ritmo das mudanças fora da sua organização é maior que o ritmo das mudanças dentro dela, você será comido e passará por um mau bocado para tentar salvar o seu negócio", diz Shapiro.

Mas não basta acelerar o passo, é preciso correr na direcção certa. "Saiba o que vai melhorar o seu negócio, entenda o mercado e aproveite os pontos fortes da sua organização, focando-se no que é mais importante", acrescenta o consultor.

A anti-lição de Thomas Edison


Para tornar a luz incandescente um equipamento viável, Thomas Edison fez cerca de 700 tentativas até encontrar o filamento perfeito para o trabalho. Consta que nunca encarou essas 700 tentativas como fracassos. "Não fracassei nenhuma vez. Provei com sucesso que essas 700 maneiras não funcionam. Quando tiver eliminado as maneiras que não funcionam, encontrarei a que funciona", teria dito o inventor.

De acordo com Shapiro, contudo, as tentativas não deixam de custar tempo e dinheiro às empresas - e nem sempre se aprende muito com os fracassos. Apesar de reconhecer que as falhas são inerentes ao processo de inovação, Shapiro afirma que é preciso evitá-las. E a melhor maneira de fazê-lo seria associar a remuneração dos colaboradores às experiências bem-sucedidas sugeridas por eles.

"Para desafios complexos do ponto de vista técnico, encontre formas de evitar o desenvolvimento interno e identifique com quem partilhar o risco", defende o autor. O objetivo é afastar-se dos custos fixos associados aos esforços internos de desenvolvimento e aproximar-se de um modelo variável "no qual paga apenas pelo valor das soluções que precisa".