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Técnicos do BdP defenderam saída de Salgado nove meses antes da derrocada

Francisco Seco/AP

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, pode ter omitido informação aos deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso BES. Um vasto conjunto de documentos, a que a SIC acedeu, prova que o Banco de Portugal tinha conhecimento detalhado do que se passava no GES/BES desde 2013

Pedro Coelho, SIC

Na primeira Grande Reportagem da série “Assalto ao Castelo”, que estreia hoje no Jornal da Noite da SIC, revelamos dois desses documentos.

No primeiro, uma nota informativa interna, assinada por técnicos da instituição liderada por Carlos Costa, a continuidade de quatro administradores do BES, incluindo a de Ricardo Salgado, é claramente posta em causa. Na referida nota, terminada em novembro de 2013, os técnicos reconhecem que o Banco de Portugal estava a deixar passar o tempo sem tomar medidas. A possibilidade de Salgado ser afastado imediatamente é colocada de forma clara e transparente.

À Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso BES, Carlos Costa fora garantir que o Banco de Portugal não retirara a idoneidade a Ricardo Salgado por estar juridicamente impedido de o fazer. Na nota informativa que a SIC revela, os técnicos concluem exatamente o contrário.

As conclusões da nota informativa seguiram para apreciação superior, mas podem ter ficado na gaveta. Ricardo Salgado só deu nota de saída da administração do BES em junho, ou seja sete meses depois do escrutínio dos técnicos. O maior banco privado português seria resolvido a 3 de agosto de 2013.

O segundo documento, que revelamos neste primeiro episódio, é um balanço detalhado sobre os resultados da avaliação a 20 sucursais e filais do BES em Portugal e no estrangeiro. Duas delas, a filial francesa e a angolana, apresentam “riscos elevados” na área do controlo interno, revelando, ambas, opacidade de procedimentos.

Em junho de 2014, três anos depois da emissão deste relatório, o país ficaria a saber, em notícia publicada pelo jornal Expresso, que o BES Angola (BESA) perdera o controlo a 5, 7 mil milhões de dólares de créditos concedidos a diversos clientes, alguns deles representantes da chamada elite angolana.