Cinco mortos e um ferido ligeiro é o balanço da derrocada de uma parede traseira no Mercado do Livramento em Setúbal, que ocorreu hoje às 17h08.
O Mercado do Livramento que se situa na Avenida Luísa Todi, uma das principais artérias de Setúbal, está a ser alvo de obras de requalificação e ampliação.
Uma parede centenária com "cerca de cem metros" de comprimento e oito de altura caiu sobre seis funcionários da empresa ABB - Alexandre Barbosa Borges, dos quais cinco morreram soterrados, de acordo com Rui Costa, 2.º comandante do Comando Distrital de Operações de Socorro de Setúbal. Um dos trabalhadores que se encontrava dentro de uma retroescavadora "escapou ileso apenas com algumas escoriações". As vítimas mortais foram transportadas para o Hospital de Setúbal, acrescentou o mesmo responsável.
Paredes laterais em risco
A presidente da Câmara de Setúbal disse esta noite que as paredes laterais do mercado do Livramento correm o risco de caírem e anunciou o encerramento temporário do espaço.
"O mercado do Livramento vai estar fechado amanhã [quarta-feira]", revelou Maria das Dores Meira, adiantando que a "parte já requalificada do edifício não está em perigo".
A autarca setubalense falava aos jornalistas numa conferência de imprensa sobre o acidente que vitimou três trabalhadores de nacionalidade portugueses, um guineense e um quinto elemento de nacionalidade ainda não revelada.
"Num dia muito triste para Setúbal, em que se abateu aqui uma grande tragédia, faleceram cinco trabalhadores que estavam a trabalhar para a empresa que estava a requalificar o nosso mercado do Livramento, uma obra emblemática para a cidade de Setúbal", disse a autarca, que vai propor um dia de luto do município.
Segundo Maria das Dores Meira, os trabalhadores que faleceram participavam nos trabalhos da nova "zona técnica do mercado, que tinha a ver com cargas e descargas, rede de frio e tratamento de lixos".
Acidente sob investigação da ATC
Apesar do acidente, a Câmara de Setúbal mantém a confiança na empresa ABB, pelo menos até ao apuramento dos motivos que provocaram o acidente.
De acordo com a autarca, a ABB, empresa responsável pela obra, já está a tratar da segurança e da proteção das paredes laterais, que, [após a derrocada], também correm o risco de caírem.
Maria das Dores Meira referiu ainda que a ACT - Autoridade para as Condições de Trabalho, está a apurar os motivos que levaram ao desabamento da parede, salientando que tinha sido contratada uma empresa para fiscalizar a obra.
"A construção estava a ser acompanhada por uma empresa de fiscalização contratada para o efeito, e por técnicos da Câmara Municipal, designadamente uma engenheira que estava diariamente no local a acompanhar a fiscalização e a empresa construtora", disse.
Ao EXPRESSO, Paulo Anjos, assessor de imprensa da autarquia, tinha anunciado explicações conjuntas da Câmara Municipal de Setúbal e da ABB, mas os responsáveis da empresa não compareceram.
Após o acidente, o proprietário da Casa das Bifanas do mercado disse aos jornalistas que o empreiteiro responsável pela ampliação daquele equipamento estava a fazer fundações junto à parede que ruiu. "Eles estavam a escavar junto à parede, e para mim foi isso que provocou a derrocada", disse Luís Bernardo.
Primeiro-ministro "consternado"
"O primeiro-ministro recebeu hoje com consternação a notícia do acidente que causou a morte a cinco dos trabalhadores atingidos pela derrocada no mercado do Livramento, em Setúbal. Às famílias enlutadas, o primeiro ministro apresenta condolências nesta hora de dor, sentida por todo o país", refere uma nota do gabinete de Pedro Passos Coelho.
Investimento de €3,86 milhões
O Mercado do Livramento tem estado a ser alvo de obras de requalificação no valor de €3,86 milhões, segundo a "Agência Lusa" e esteve encerrado durante alguns meses, tendo reaberto uma parte no início de outubro passado, faltando concluir os trabalhos do piso superior do edifício.
Construído em 1876, o mercado do Livramento, um dos ex-libris da cidade de Setúbal, que só tinha sido objeto de obras de requalificação em 1930, foi sujeito a uma remodelação total, incluindo novas infraestruturas de abastecimento de água, instalação elétrica e rede de esgotos.
A autarquia esperava ter concluída até ao final do ano passado a segunda fase dos trabalhos no mercado provisório, a futura área técnica que será dotada de uma zona de cargas e descargas, câmaras frigoríficas e de uma central de tratamento de lixo.
Durante a execução dos trabalhos de requalificação, a Câmara de Setúbal prescindiu da cobrança de taxas a todos os concessionários do mercado.
Certamente para que os custos da obra fossem menores poupou-se no trabalho e nos materiais que eram necessários para escorar o muro, mas o resultado foi o oposto ao previsto e, mais grave, perderam-se vidas humanas. O responsável pela arriscada decisão está em "maus lençóis".
Foi um abalo sísmico a causa do acidente? Não foi...? Se calhar foi da chuva? Mas não tem chovido...Foi um muro que caiu em cima de uns desgraçados. Fez-se tudo o que era humanamente possível para prevenir a ocorrência de um desabamento ao abrir-se uma vala rente a um muro alto? Haverá responsáveis? Fiscalização? Certamente que haverá um inquérito. Estamos no país dos inquéritos!
Setúbal é o melhor exemplo do desperdício de milhões que em nada melhoraram a cidade e os citadinos. Exemplos:
1. POLIS da Avenida Luisa Tody;
2. Parque Santigo para onde se deslocalizou a Feira;
3. Obras no Cine-Teatro Luisa Tody;
4. Pórtico teatral no Largo José Afonso
Tudo obras com calendário «eleitoral»: umas do PS, outras da CDU. O PSD faria melhor? Duvido,... Setúbal merece outros políticos.
Só no distrito de Setúbal ontem houve dois acidentes graves, em tempo de vacas esqueleticas, isto é, o parque de obras neste país está reduzido a quase nada.
A maioria das empresas (nem todas) corta onde lhe parece mais evidente economizar sem grandes estudos, na segurança no trabalho; Ora a ACT que noutros tempos tanto se queixava da falta de efetivos para fiscalizar, nesta altura não tem grandes justificações para não andar a ver as condições de segurança em que decorrem as nossas obras, já que as obras de norte a sul são residuais e não houve redução de pessoal neste serviço público que tão útil pode ser para Portugal.