Margarida Mota e Jorge Simão, enviados ao Egito (www.expresso.pt)
8:00 | Sexta feira, 4 de fevereiro de 2011
Depois da "manifestação do milhão", o movimento de contestação a Hosni Mubarak
vai organizar, esta sexta-feira, a "marcha da partida". Com mais esta demonstração de força e unidade, os manifestantes esperam que Hosni Mubarak dê o passo final para sair do poder.
Nas ruas de acesso à praça Tahrir, está tudo organizado para conter eventuais tentativas de infiltração por parte de manifestantes pró-Mubarak. Na rua que liga a praça à ponte Qasr el-Nil, perto da sede da Liga Árabe, foram montadas barricadas com tábuas de madeira, chapas em alumínio e todo o tipo de estruturas que possam ajudar à criação de uma barreira defensiva.
Atrás dessas barricadas, há pequenos montes de pedras, para serem usadas como "munições" na eventualidade de um ataque. À frente das barricadas, os manifestantes despejaram grandes quantidades de lixo, a toda a largura da estrada, para "saudar" - de forma provocatória - os manifestantes pró-Mubarak que se aventurem ao seu encontro.
O checkpoint foi guardado durante a noite por dezenas de pessoas, com capacetes brancos na cabeça. Hoje vão voltar a dizer a Mubarak, a plenos pulmões, que está na hora de se ir embora.
EUA NEGOCEIAM SUCESSÃO DE MUBARAK
De acordo com a edição de ontem, quinta-feira, do "The New York Times"
, os Estados Unidos discutem com responsáveis egípcios uma possível partida imediata do presidente Hosni Mubarak e a transferência do poder para um governo de transição dirigido pelo Vice-Presidente Omar Suleimane.
Embora Mubarak recuse apresentar demissão do cargo que ocupa há quase 30 anos (ver vídeo), responsáveis norte-americanos e egípcios estudam um cenário em que Suleimane, apoiado pelos militares, iniciaria imediatamente um processo de reforma constitucional, acrescenta o "The New York Times".
O diário norte-americano cita responsáveis da administração do presidente norte-americano Barack Obama e diplomatas árabes.
Os EUA parece continuarem a dar tiros nos pés ...
A "estabilidade na àrea" vai necessariamente ficar ameaçada.
Com que interesses terceiros trocam essa instabilidade que fomentam ?
Nestas lides as pressas, aliadas à falta de diplomacia, azedam os comnflitos!
O tiro pode sair pela culatra ...
Quem são os credíveis da oposisão, verdadeiros liders do povo ?
"nomear" egipcios, na diáspora ou não, com ténues ligações aos seus ... não vai resultar, é perigoso e o mundo ocidental vai pagar.
As acções de rua ... ficaram-se por trajédia e falta de liderança ...
Os portugueses regressados foram claros, e não enjeitam a possibilidade de regressarem. Na generalidade teceram elogios.
Seguramente que o desfecho será ditado não por terceiros mas pelo mundo àrabe.