Sem vergonha: os popós de luxo da administração da Carris
Continua o fandango, agora na Carris: "Esta semana foi divulgado que os capitais próprios da Carris estão negativos em 776,6 milhões de euros e que a administração da empresa pública teve um aumento nos vencimentos em 2010. O resultado líquido da Carris foi novamente negativo no ano passado, agravando-se para 42,3 milhões de euros." In Público
Uma pessoa, uma família ou uma qualquer empresa privada que pensem de forma racional quando se deparam com falta de oxigénio (financeiro) tentam de alguma maneira controlar os gastos. E quando me refiro a gastos não estou obviamente a falar dos necessários para que a pessoa, empresa ou família subsista, sobreviva ou continue a produzir. Estou sim a falar do supérfluo, do desnecessário. Aquilo que o governo adora chamar de apertar o cinto ("faz o que eu digo não faças o que eu faço")
Acontece que as empresas públicas, os gestores que as lideram e o próprio Estado português parecem usar suspensórios milagrosos. E digo isto porque sem apertarem o cinto, optando por não darem o exemplo no corte do tal supérfluo, as calças parecem nunca lhes cair, e continuam a gastar dinheiro como se existisse uma qualquer gruta, provavelmente em Mira de Aire, carregada de ouro para salvar o país da desgraça. Até agora ainda só tive oportunidade de ver o Ali Babá e os quarenta ladrões. Que não serão 40 mas uns milhares. Gruta: Zero.
Custos com pessoal: "a administração da Carris recebeu um total de 420.556 euros em 2010, traduzindo-se num aumento nos vencimentos dos cargos de topo de quase 33 mil euros em comparação a 2009, apesar dos cortes salariais decididos na administração pública. O presidente da Carris aufere mensalmente 6577 euros brutos. Cada vogal da administração 5727 euros." Perdoem-me o desabafo: mas que m&%a é esta? O que é isto?
Poderíamos pensar que com vencimentos deste género cada "marmelo" teria dinheiro para comprar a sua própria viatura e deslocar-se para o emprego por conta própria. Se nos lembrarmos que na Suécia deputados partilham apartamentos e que o Mayor de Londres vai para o emprego de bicicleta por que razão aqui teria de ser de outra forma? E a Carris? Que estatuto especial é este que terá de ter uma pessoa só porque trabalha na administração da Carris? Ou na de outra empresa pública qualquer? Têm o rabinho de ouro? Não podem pagar nada? Têm de adoptar um comportamento de proxenetismo do erário público?
"O relatório de contas da Carris de 2010, citado pela edição de hoje do "Correio da Manhã", indica que o presidente da Carris presidente da Carris, José Manuel Silva Rodrigues, e os vogais da administração Fernando Jorge Moreira da Silva, Maria Isabel Antunes e Joaquim José Zeferino receberam as quatro viaturas das marcas Mercedes, Audi e BMW no ano passado."
Agora respondam-me se conseguirem: com exemplos deste género como é que este país não haveria de ter descarrilado? Acabem com esta pouca-vergonha de uma vez por todas!
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