O motor do país está nas empresas, com as suas estratégias, recursos humanos e quadros, defende Luís Filipe Pereira, que hoje terminou um mandato de quatro anos na presidência da Efacec, onde é substituído por João Bento.
Sob a sua liderança, a Efacec cresceu ao ritmo de 30% ao ano, em plena conjuntura de crise, e reforçou a vocação exportadora. E, na opinião do gestor, exportar deve ser, mais do que nunca, uma prioridade para as empresas portuguesas e para o país.
"O motor de Portugal está nas empresas, com as suas estratégias, recursos humanos e quadros", defende, ao mesmo tempo que aponta algumas medidas para ajudar o mundo empresarial a fazer este caminho na atual conjuntura.
Reduzir custos de contexto como o burocracia da máquina estatal e custos de produção como as telecomunicações e a energia são duas das medidas necessárias para ajudar as empresas portuguesas a enfrentar a concorrência. Ao mesmo tempo, "é preciso canalizar verbas dos vários programas comunitários para incentivos à exportação", acrescenta.
Esquecer as auto-estradas
Outro pilar deve estar nos bens transacionáveis. "Durante muitos anos, o país elegeu os bens não transacionáveis, mas hoje é preciso dar condições aos bens transacionáveis, que podemos produzir e vender no mundo, ao contrário das auto-estradas", diz.
"Um esforço para investir nas pessoas, com exigências, sem ter como única preocupação as estatísticas da OCDE" e "a diminuição do fardo fiscal das empresas" são, também, medidas a adotar. E, se é verdade que os benefícios fiscais às empresas podem colidir com regras europeias, o gestor salienta haver "países que sabem rodear estas regras", como acontece em Espanha.
Para o futuro do país, o ex-presidente da Efacec, pede uma campanha eleitoral menos voltada para a discussão de culpas e atribuição de responsabilidades porque "o mais importante, agora, é saber como se resolve o problema e apontar uma luz no fundo do túnel".
Sem complexos, afirma que "passamos para níveis de bem estar que não eram compatíveis com o desenvolvimento económico do país". "O bem estar das famílias, o acesso a bens duradouros como viaturas, ou até a viagens, não foi propiciado por uma economia robusta, competitiva e saudável, mas pelo endividamento das pessoas e isso significa que alguém emprestou e vai cobrar", acrescenta.
Governo maioritário
Assim, antecipando "tempos difíceis", defende a necessidade de uma liderança forte, capaz de fazer o país perceber "as medidas duras que terão de ser adotadas". "Para isso, precisamos de um governo maioritário, do envolvimento do PS, do PSD e do PP. 80% dos eleitores reveem-se nesses partidos e eles terão de fazer um esforço nacional", conclui.
A substituição de Luís Filipe Pereira por João Bento na presidência da Efacec é considerada pelos acionistas da empresa como "uma sucessão natural", decorrente da política do grupo José de Mello, onde os gestores com funções executivas deixam o cargo no final do mandato em que fazem 65 anos.
Economista com experiência académica, executiva e empresarial e ex-ministro da saúde do governo de Cavaco Silva, chegou à empresa detida pelo Grupo Mello e pela Têxtil Manuel Gonçalves em 2007, para um mandato marcado pelo crescimento e internacionalização da Efacec.
João Bento, o novo presidente, vem do grupo Mello. Engenheiro civil de formação, era já administrador não executivo da Efacec e administrador executivo da Brisa. Entre 2001 e 2010 integrou o conselho de administração da EDP - Energias de Portugal, Adamastor Capital, Brisatel e CCR - Companhia de Concessões Rodoviárias.