Seguro mantém silêncio sobre limites ao défice na Constituição
Única novidade: o líder socialista anunciou que irá apresentar ao Governo uma proposta para "um regime mais justo e fiscalizado dos subsídios à produção de eletricidade através de co-geração". "Bastariam duas alterações para que os consumidores poupassem por ano, no mínimo, 130 milhões de euros", garantiu, ainda que isso significasse que "deixariam de ser subsidiadas duas das maiores empresas portuguesas", afirmou, sem especificar a quais se referia.
No mais, Seguro voltou a desafiar Pedro Passos Coelho - tinha-o feito, pela primeira vez, na sua intervenção de sexta-feira - para, em alternativa, ao aumento do IVA sobre o gás e a eletricidade antes "alargar o imposto extraordinário às empresas com lucros superiores a dois milhões de euros".
Reforçou ainda a sua intenção de contribuir com propostas para o crescimento económico do país, salientando que é esse o caminho: "Temos de apostar nas exportações e nas empresas produtoras de bens transacionáveis". Reforçar as linhas de crédito comercial e seguros de crédito, reorientar o QREN para a internacionalização, negociar o próximo quadro financeiro (2014-2020) com esta perspetiva em mente, são as linhas orientadoras da política económica que o PS defende.
Uma Europa federal
Ainda não foi nesta ocasião que ficámos a saber se o PS está ou não disponível para a inscrição de um limite ao endividamento na Constituição, como propõem Nicholas Sarkozy e Angela Merkel e Passos Coelho já disse concordar. Da boca do novo secretário-geral socialista o que mais que se ficou a saber (já o tínhamos ouvido na sexta-feira) é que o PS se revê nesta Constituição e não vê razões para a alterar e que "a Europa não precisa de medidas avulsas, ora propostas pela Alemanha, ora propostas pela França".
Seguro é um federalista e disse-o com todas as letras: "Ou a Europa decide ou morre. Uma decisão que deverá ser precedida de um debate onde o federalismo deverá ser colocado em cima da mesa, sem medos nem tabus". A Europa, na sua opinião, precisa de uma agência de rating autónoma, de um orçamento reforçado e de eurobonds.
A bússola de Seguro
Propôs-se, mais uma vez, ser uma oposição responsável que, em simultâneo, se constituirá como "alternativa política ao atual Governo". Recuperando a terminologia que António Costa usara na intervenção da véspera tranquilizou o presidente da Câmara de Lisboa: "Não contem com o PS para fazer a oposição do 'bota-abaixo', do pessimismo".
"Discordo da política feita a partir das trincheiras", explicou, garantindo que os socialistas saberão que assumirá os compromissos constantes do memorando da troika mas que analisará, caso-a-caso, todas as medidas que não constem do documento. Acreditando que há espaço para compromissos "tanto à nossa direita, como à nossa esquerda", reafirmou (toada comum aos três dias do congresso): "A minha bússola são os valores do PS".
Num dia de efemérides - os 10 anos do 11 de setembro, uma "tragédia" que Seguro referiu logo a abrir o seu discurso -, o secretário-geral do PS anunciou ainda a comemoração dos 40 anos do PS, em 2013 e o convite ao fundador do partido, Mário Soares, para presidir a essas comemorações. E com outra efeméride por meta (os 50 anos do 25 de abril, em 2024, já dificilmente será ele o secretário-geral do PS) estabeleceu um desígnio para o seu partido: colocar Portugal no núcleo duro dos países desenvolvidos da Europa.
António José Seguro elegeu 170 dos 251 lugares da Comissão Nacional (o que corresponde a cerca de 70% dos votos). Francisco Assis garantiu 81 mandatos. Manteve-se a proporção conseguida pelos dois candidatos nas eleições diretas de Julho.


Alberto Frias
"Ou a Europa decide ou morre. Uma decisão que deverá ser precedida de um debate onde o federalismo deverá ser colocado em cima da mesa, sem medos nem tabus”, afirmou Seguro
