20 de junho de 2013 às 0:28
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"Se ela estivesse morta cheirava mal!"

Esta foi a frase proferida por um agente da GNR, provavelmente um primo afastado de Horatio Caine do CSI Miami, quando uma senhora se queixou do desaparecimento da vizinha. Foi descoberta 9 anos depois. Morta dentro de casa.
Tiago Mesquita (www.expresso.pt)

O marido havia falecido há pouco tempo e a senhora deixou de ser vista por ali a passear como de costume, principalmente aos fins-de-semana. A única vizinha que se deu ao trabalho de ir à GNR fazer uma participação ficou perplexa quando os agentes, parados à porta do apartamento da desaparecida, nada fizeram.

"Então mas e se ela está ali dentro morta?" Perguntou a senhora já com alguma idade e muita ingenuidade...Os agentes riram-se entredentes, em estilo gozão como se fossem uma equipa do CSI depois de ouvir alguém dizer uma barbaridade de técnica forense e responderam com a sapiência de Sherlock's da Rinchoa:

"Ó minha senhora se ela estivesse morta cheirava mal". Brilhante. Portanto daqui conclui-se que uma pessoa só pode estar morta se cheirar mal. Se morrer na neve e ali permanecer enterrada durante 500 anos está viva. Apenas congelada como uma posta de maruca. E as inúmeras pessoas com quem nos cruzamos diariamente no metro e tresandam como doninhas porque não conhecem o conceito de sabão estão para estes dois estarolas da GNR aparentemente mortas. Sendo assim eu mesmo já tive o desprazer de viajar numa carruagem com 35 franceses mortos. E faziam mais barulho que uma excursão de putos da C+S. Há quem morra só dos pés ou da boca. Chamada morte por chulé ou por mau hálito.

Resultado desta macacada: os cadáveres da senhora e da sua única companhia, um pequeno cão, estiveram 9 anos, REPITO: 9 ANOS à espera de serem encontrados. Coisa que só aconteceu quando a porta foi finalmente aberta depois de a casa ter sido vendida num leilão das finanças.

Esta senhora vivia nos arredores de Lisboa, e não num canto qualquer do Portugal perdido. Teve dois azares. Vivia numa sociedade que já não olha para o lado a não ser para invejar o carro novo do vizinho ou o rabiosque da colega de trabalho e apanhou pela frente dois senhores que de agentes da GNR só têm a farda, impedindo-a pelo menos de ser tratada após falecer com a dignidade que qualquer um merece. Morreu só e assim permaneceu.

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Comentários 16 Comentar
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Não é possível
Reduzir um ser a um número fiscal só num país desgraçado como este, mas tudo indica que é esta a sociedade do futuro, ou seja, pessoas que cada vez menos são gente. Mas, a gravidade da situação não se fica apenas a dever à atitude da GNR, de desvalorização de uma informação, pois igual ou pior foi o procedimento fiscal que vende um imóvel sem se preocupar em saber do cidadão contribuinte. Já agora onde está, ou o que fez a Segurança Social, o que foi feito das reformas não recebidas, etc., etc.. Nem os animais abandonam assim os seus iguais. O meu cão, "Boris" não abandonou a dona quando a encontrou caída com perda de conhecimento. Somos um país da pouca sorte, onde a chamada modernidade mata o que resta da humanidade que devíamos preservar.
É como o povo português. Está morto mas não cheira
mal. Embora haja alguns num estado de putrefação muito avançado...já com um cheiro nauseabundo, mas como estão bem protegidos o cheiro não se espalha...
ah mas se morasse
num canto qualquer do Portugal perdido, isto não acontecia com certeza.

aconteceu precisamente por ser em Lisboa (ou noutra cidade grande qualquer)

aconteceu porque as instituições do estado não fazem a ponta dum chavelho nem servem para nada (entenda-se funcionários públicos de todos os níveis, desde a GNR à Segurança Social)

é francamente chocante o país em que vivemos
Sem tanta demagogia, evitavam-se alguns males!
Em Outubro de 1995, numa célebre campanha eleitoral, ganha pelo Partido Socialista ao PSD, e falo neste dois partidos porque são eles os verdadeiros detentores do Poder nos últimos 35 anos, o Eng.º António Guterres futuro Primeiro Ministro de Portugal, proclamava aos sete ventos, este célebre slogan eleitoral, "OS PORTUGUESES NÃO SÃO NÚMEROS, SÃO PESSOAS". Coincidência ou não esta mulher terá morrido no limiar dos seus sete anos de governo, por alturas de 2002. Guterres abandonou o poder a 22 de Abril desse ano.
Guterres fez uma campanha eleitoral, em contraponto com o PSD, tentando explicar que os Portugueses mereciam mais atenção do Estado e de quem os governa, eram mais do que um simples número estatístico.
A demagogia sempre foi madrasta para aqueles que fizeram dela doutrina!
Este é um caso daqueles que merece meditação. Os problemas não se resolvem apenas porque se atiram umas promessas para a frente do eleitorado, tentando iludi-lo com meias verdades. Os problemas resolvem-se com a sustentabilidade dos sistemas sociais, onde cada serviço ou entidade responde socialmente perante os outros. Neste caso alguém falhou, e esse alguém fomos todos nós! Esta nossa propensão para o facilitismo, por vezes proporciona-nos surpresas bem tristes e desagradáveis.
Re: Sem tanta demagogia, evitavam-se alguns males! Ver comentário
A qualidade dos GNR
Não querendo denegrir a imagem de toda a corporação, este(s) senhores deviam ser sseriamente punidos, quanto mais não seja, pelo desprezo com que trataram uma queixa de um cidadão!
Este país é uma vergonha...
"TAL E QUAL"
Só resta saber se estes geneérrezinhos vão ser castigados.....acho que não ...
Mas estas coisas acontecem muito no Sudão e no Ruanda.
Kácus
GENHINHAS...
Infelizmente à cada otário nas forças de segurança publicas!! e são estes tipos que escolhemos/ escolhem para nos proteger e andar com armas? Portugal não existe!!
OPINIÂO
"se ela estivesse morta cheirava mal", frase proferida por um agente da GNR, cujo o dever como agente de defesa e da ordem, era ouvir com atenção as queixas apresentadas e investigar. Não querendo generalizar, entendo que todos os brutos cujo coeficiente de inteligência se aproxime da imbecilidade, deveriam ser banidos das forças da ordem.
não é por viver-se numa grande cidade ...
ou por viver-se numa pequena aldeia! Quantas notícias têm aparecido ultimamente de barracos em aldeias que servem de armazéns clandestinos ou fábricas (mais ou menos) caseiras de drogas e nunca niguém dá por isso!?

Embora reconheça que a incidência maior desta insensibilidade seja nos grandes meios urbanos, seguramente ela é transversal a toda a sociedade, extractos sociais, faixas etárias, credos, raças, etc, ...

Isto é o resultado dum gradual e progressivo aumento da insensibilidade do homem que cada vez mais olha para si e só para si como centro do mundo:
- ou tem problemas e, julgando-se o centro do mundo, considera-se o único a ter problemas (existindo eventualmente outras pessoas com problemas nunca estes são maiores do que os seus)
- não tendo problemas isola-se na sua soberba e ignora tudo e todos como que, sendo ele novamente o centro do mundo, o resto exista para 'servi-lo'

Ainda bem que vão existindo pessoas, e acredito que existirão sempre, que de formas altruístas se preocupam e são pro-activas na defesa e aplicação dos princípios básicos (pelo menos estes) de ética e dignidade que deverão ser aplicados a qualquer ser senciente ou não.

São estas pessoas que, preocupando-se com os outros, com a comunidade em que estão inseridas e com o, igualmente importante, meio ambiente e natureza vão dando esperança para uma mudança sociológica.

"Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora."
ainda no seguimento do julgar ser o centro Ver comentário
Falem do que sabem
1- Que eu saiba a senhora não morreu na neve nem dentro dum congelador, pelo que´é legítimo estranhar a ausência de cheiros.

2-Se um gnr rebenta com uma porta e depois aparece o dono todo contente, e a chefia entende que houve excessos do dito GNR, quem paga a reparação da porta? Cheira-me que é o GNR do bolso dele.

QUEREM MAIS EXEMPLOS?

O artigo do D.O. sobre o triste simbolismo de ser o fisco a ordenar rebentar a porta é que achei oportuno, o resto...

Já agora, se acontecer com vocês e uma vossa vizinha, não chamem a GNR a dizer que a senhora não aparece há muitos dias, inventem que ouviram pedir socorro de lá de dentro e aí o GNR já podia legalmente rebentar a porta. Quanto a Vocês ninguém vos ia prender por confundirem de que apartamento veio o pedido de socorro, no caso da senhora estar de boa saúde noutro local.
Faltou expediente aos vizinhos e agora diz-se mal da GNR.
Sem dados sólidos a GNR tem tanto direito de rebentar uma porta como um de vocês.
Re: Falem do que sabem Ver comentário
Re: Falem do que sabem Ver comentário
Sorte a minha
Um dia destes fui apanhado a fumar num restaurante. Acabado o cafézinho, distraído, acendi um cigarro, houve um silêncio aterrador. Vi o dono do restaurante a correr para o telefone do estabelecimento, as pessoas das mesas ao lado a fugirem todas sem pagar, e passado 15 minutos tinha uma carrinha da policia de choque, estacionada em frente ao restaurante. É preciso dizer mais alguma coisa? E já agora, Quem é que disse que a nossa policia não cumpre o seu dever? Não fui eu. Nem eu. Muito menos eu. Prontos. Deixem lá, fui eu.
Viva as Finanças!!! (os heróis desta história)
Esta situação só revela a falta de competência, de vários organismos públicos, culminando na incompetência das finanças, e por fim do descoberta do corpo, 9 anos após a morte (no mínimo surreal). Ao que parece a família, e os vizinhos tentaram por todos os meios legais, que abrissem a porta, curiosamente falharam.

Interessante é saber que neste país, pagam-se impostos esses sempre a subir, e há um total desleixo relativamente as contrapartidas dos mesmos. Parece que vivemos num estado "quase feudal", o "dizimo" é canalizado para pagar luvas e salários chorudos, a AR, bem como a todos os boys de todos os partidos dominantes.

Não deixa de ser de lamentar, a incompetência existencial tanto dos funcionários da GNR, Tribunal de Sintra, SS, e finanças.

Não pode faltar, um viva a sociedade portuguesa burocrata, onde todos somos em resumo um numero de identificação fiscal(NIF), nada mais...

Chega-se a conclusão que uma divida as finanças é pelos vistos a unica forma de sermos descobertos apos de mortos, se não tivermos mais ninguem. É de enaltecer os organismos públicos portugueses... Bem haja, as entidades leiloeiras públicas deste país....
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