"Fiquei um pouco surpreendido com a interpretação do que eu disse, penso que isso se deve a uma mistura com umas declarações da chanceler da república federal alemã acerca dos fundos estruturais, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra", afirmou o presidente do Parlamento Europeu esta tarde em Bruxelas.
O alemão Martin Schulz resolveu dar uma conferência de impresa para esclarecer o que disse acerca de Portugal, durante um debate sobre o papel dos parlamentos na União Europeia realizado a 1 de fevereiro na Biblioteca Solvay, em Bruxelas.
"Lamento muito que tenha havido gente que tentou interpretar mal uma coisa que não pode ser mal interpretada, pois eu não critiquei o Governo, nem o país, apenas exprimi a ideia que os europeus fariam melhor se trabalhassem em conjunto", sublinhou.
"Eu não falei do declínio, falei da ameaça que a Europa tem que levar a sério. Se são formos solidários na Europa, se por exemplo os grandes países tornam pública a imagem de que não se importam com os pequenos países, se a Alemanha passa a imagem de que a Grécia e Portugal não nos interessam, é a Europa enquanto tal que se torna irrelevante e é a Europa que fica ameaçada pelo declínio. Não tinha nada a ver com Portugal, mas sim com a Europa e a falta de solidariedade entre nós. Isso foi verdadeiramente mal interpretado e qualquer um pode ouvir o que eu disse nesse debate com o presidente do parlamento alemão, foi claramente um apelo à solidariedade no seio da Europa", acrescentou. Oiça aqui o áudio (em francês):
"Isso foi por acaso, podia ter escolhido qualquer outro exemplo. Penso que não é proibido escolher Portugal como exemplo e podia também ter escolhido a Alemanha, que é o que estou a fazer. Diz-nos respeito a todos. O que é importante para Portugal é também importante para a Alemanha, é importante para Malta, Chipre e Luxemburgo. Se permitirmos que nos dividam, que nos separem em 27 pedaços, não seremos suficientemente fortes para lidar com os desafios do seculo XXI e isso diz respeito tanto a Portugal como à Alemanha", rematou o presidente do Parlamento Europeu. Oiça aqui o áudio (em francês):