"O vereador Victor Gonçalves vai continuar a ter o apoio que os outros vereadores do PSD têm", diz Pedro Santana Lopes. O candidato do PSD à Câmara de Lisboa nas últimas eleições reagiu assim à posição de rutura assumida por Victor Gonçalves.
Em carta dirigida ao presidente da Câmara, António Costa - conhecida hoje de manhã, durante a sessão pública da autarquia -, Gonçalves acusou Santana de ter mandado cortar todo o apoio que lhe era prestado no gabinete dos vereadores do PSD. Tal situação aconteceu há cerca de um mês.
"São questões internas, que estão resolvidas", garantiu Santana aos jornalistas no final da reunião de câmara, em declarações prestadas à porta do edifício dos Paços do Concelho.
O ex-presidente da Câmara nega que a carta possa ter quaisquer "consequências políticas". Com "excepção" de uma "única nota": "Na vereação do PSD a disciplina é uma regra da casa; aqui a rebaldaria não existe", disse Santana. Questionado se Gonçalves entrou em alguma rebaldaria, Santana Lopes disse não querer comentar.
Ao mesmo tempo, o líder do PSD no executivo municipal apontou o dedo ao que se passa na maioria que governa a capital (socialistas e Cidadãos por Lisboa), que "discute em público as suas propostas". Santana apontou também o dedo aos jornalistas por não noticiarem tais situações, que considera "politicamente mais relevantes" do que a carta enviada por Victor Gonçalves a António Costa.
Se as tréguas internas no PSD, anunciadas por Santana, passam das palavras aos atos é o que está por saber-se. "Tem de ser Pedro Santana Lopes a fazer uma demonstração clara (não é mais ou menos; é clara) que me dão todo o apoio necessário ao desempenho da minha missão", disse ao Expresso Victor Gonçalves.
Um cenário pouco provável, segundo este vereador social-democrata, militante nº 30 do PSD, onde está filiado desde 1974. "Acho difícil o restabelecimento das relações anteriores. Mas às vezes há milagres".