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Salvar bancos

8:00 Segunda feira, 8 de dezembro de 2008

Os bancos recolhem o dinheiro das pessoas sem tempo para o gerir, e emprestam-no a outros com projectos rentáveis. Não é fácil entrar neste negócio de um momento para o outro; exige experiência comercial, capacidade de distinguir projectos viáveis e inviáveis, e muita vigilância dos pagamentos. Estas funções são tão essenciais quanto o uso de comboios e aeroportos. Da mesma forma que a falência súbita da CP ou da ANA levariam ao caos, também seria desastroso se o sistema bancário fechasse as portas, mesmo que só temporariamente. Daí, a necessidade de salvar bancos.

Infelizmente, os bancos são instituições frágeis, pois têm dívidas aos depositantes à ordem, mas créditos em investimentos a longo prazo. Por isso, estão expostos a crises de liquidez. Se todos tentam levantar dinheiro ao mesmo tempo, o banco não pode satisfazê-los porque tem o dinheiro empatado. Para salvar um banco de um problema de liquidez, é preciso emprestar-lhe dinheiro no curto prazo e esperar pelo fim rentável dos investimentos de longo prazo.

Se o problema não for de liquidez, mas de rentabilidade, pode-se justificar salvar o banco pela sua importância da mesma forma que cobrimos os prejuízos da CP. Salvar o banco não implica, no entanto, salvar os seus actores. O fracasso de um banco é responsabilidade dos seus accionistas, credores, gestores e trabalhadores. Salvá-los seria encorajá-los a repetirem os mesmos erros.

Castigar os accionistas e os gestores é a parte mais fácil (mas por vezes esquecida). Quando o Estado intervém com capitais públicos, deve receber acções em troca, pelo que os accionistas anteriores perdem tudo. Porque o Estado é o novo dono, pode e deve despedir de imediato os gestores.

Quanto aos credores, com a excepção dos depositantes, deve-se renegociar a dívida tal como o tribunal faria em caso de falência. Por fim, impõe-se a reestruturação da empresa, incluindo despedimentos, assim como a contenção salarial.

Salvar um banco também não implica comunismo. Tendo mantido o banco aberto e castigado os actores anteriores, o Estado deve, o mais cedo possível, vender o banco aos privados que o saibam gerir melhor.

Ricardo Reis, professor de Economia, Columbia University

Palavras-chave  opinião, , bancos, Ricardo Reis, salvar
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Re: Salvar bancos
leitura (seguir utilizador), 1 ponto , 23:45 | Segunda feira, 15 de dezembro de 2008
'I believe that banking institutions are more dangerous to our liberties than standing armies. If the American people ever allow private banks to control the issue of their currency, first by inflation, then by deflation, the banks and corporations that will grow up around the banks will deprive the people of all property until their children wake-up homeless on the continent their fathers conquered.'

«Acredito que as instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades do que o levantamento de exércitos. Se o povo Americano alguma vez permitir que bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no continente que os seus pais conquistaram.»

Thomas Jefferson, 1802
 
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