Este é um dos assuntos que raramente merece umas linhas na Comunicação Social. Mas será, certamente, um dos mais severos julgamentos a que esta geração se submeterá no futuro. Um país que se permite ter património histórico valioso (e valioso não só do ponto de vista meramente português, mas do próprio ponto de vista europeu e global) a cair aos pedaços, é um local onde ou falta a auto-estima, ou abunda a inconsciência (ou ambas as coisas em simultâneo).
Nas páginas 12 e 13 desta edição podemos tomar conhecimento de um panorama desolador: a Sé de Lisboa repleta de lixo; a Igreja de São Francisco em Évora com um tecto a ruir; o centro histórico do Porto em perigo de derrocada; o Convento de Cristo em Tomar repleto de mazelas do tempo. Castelos, grutas, castros, muralhas sem quem lhes acuda.
Pedir que seja o Estado apenas a tomar conta de tudo pode ser um caminho. Mas é esquecer, como tantas vezes, que o dinheiro do Estado é de todos. E, ainda que possa ser reconfortante chorar sobre as verbas gastas em estádios de futebol e em muitos outros investimentos duvidosos ou ruinosos, de nada nos serve. Melhor será, pois, apelar à sociedade e às empresas que sigam os bons exemplos já dados (da Cimpor, na recuperação da Charola de Tomar, da Fundação Eugénio d'Almeida, no centro de Évora, para não falar da Gulbenkian no património português espalhado pelo mundo). E apelar dizendo-lhes que, apesar da crise e da natural contenção, muito se pode fazer com pouco investimento e com retorno muitas vezes superior ao de iniciativas vácuas e sem sentido.
O Expresso, que tem por imperativo, no seu Estatuto Editorial, a defesa do património histórico, terá gosto em divulgar as iniciativas relevantes na sua recuperação.
O inimigo do costume
É certo que as respostas de Israel nem sempre são comedidas, sendo algumas vezes desproporcionadas. Mas desta vez convém analisar bem os factos antes de chegar a conclusões precipitadas. O Governo radical do Hamas em Gaza, à revelia da liderança palestiniana de Mahmoud Abbas, decidiu, na véspera de Natal, atingir o Sul de Israel com uma barragem de foguetes.
Em resposta veio o que se sabe.
No entanto, se não temermos todas as perguntas, há uma que inevitavelmente teremos de fazer: qual a vantagem do Hamas em quebrar uma trégua de seis meses e atacar alvos civis no poderoso vizinho israelita?
A vantagem é só uma: o Hamas tem de governar com um inimigo externo bem visível a quem responsabilizar pelos resultados da sua própria governação: desemprego, miséria, banditismo, violência. E tem de demonstrar à Cisjordânia e ao mundo árabe que é ele o campeão desse combate.
O inimigo, já se sabe, é o do costume: Israel.