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Sai um primeiro-ministro?

Numa campanha interna, e debaixo do folclore de um congresso partidário, é difícil antever que candidato à liderança tem mais potencial para vencer eleições nacionais.

Alexandre Homem Cristo
1:03 Domingo, 14 de março de 2010

Numa campanha interna, e debaixo do folclore de um congresso partidário, é difícil antever que candidato à liderança tem mais potencial para vencer eleições nacionais. Falar para militantes não é o mesmo que falar para o país, muito embora os militantes também procurem antecipar qual dos candidatos 'cheira' mais a poder. No caso actual do PSD, isso é uma evidência: após 15 anos a ver o PS governar, o PSD está sedento de um líder que dê garantias de vitória. E isso pode ser muito perigoso.

Sócrates continua a enterrar o país e a quebrar todas as promessas eleitorais importantes, mas as sondagens dão vitória ao PS. Pior. Sócrates vai agora fazer tudo aquilo que Manuela Ferreira Leite defendeu na campanha das legislativas, e mesmo assim o PS mantém-se no topo nas sondagens de intenções de voto. É, no mínimo, desesperante, e a futura liderança do partido terá que inverter esta realidade num curto espaço de tempo. A questão é que esse sentimento de urgência pode prejudicar o partido.

É Passos Coelho quem 'cheira' mais a poder, principalmente porque foi afastado por Ferreira Leite (foi vítima de uma líder que o país despreza), porque sabe estar perante as câmaras (deve treinar horas em frente ao espelho) e porque não receia fazer uns pequenos golpes baixos (hoje foi aquela de dizer que só conhecia Rangel há dois anos). Infelizmente, isto é só a forma. Falta o conteúdo, que é quase tudo. Rangel, que tem esse conteúdo, 'cheira' menos a poder porque não sabe fazer 'sorrisos colgate'.

A diferença entre forma (vender uma ideia) e conteúdo (a ideia em si) é importante, e um candidato ideal dominaria ambos. Não é o caso actual no PSD. Isso poderá levar os militantes a escolher pela forma (Sócrates já provou que é uma fórmula vencedora), i.e. por Passos Coelho, que até lidera as sondagens quanto ao seu potencial para ser primeiro-ministro e que seria um género de via rápida para chegar ao poder. Só que há um elemento da maior importância a ter em conta: o PSD não governa há muito tempo, pelo que o próximo Governo PSD terá todos os olhares sobre si, muita expectativa e pouco espaço de manobra para errar. Talvez por isso seja melhor apostar no conteúdo.

Palavras-chave  Blogues, Política, Portugal 2009
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Deslealdades
rbeneyto (seguir utilizador), 1 ponto , 14:35 | Domingo, 14 de março de 2010
Escrevo esta reflexão no segundo dia do congresso e só lamento que nenhum dos apoiantes de qualquer um dos adversários de Passos Coelho a leia e a queira aproveitar.

O maior perigo de uma derrota de Passos Coelho é que este, como já mostrou, não sabe aceitar a derrota e continuará a minar o terreno do adversário que ganhar. O que fez a Ferreira Leite durante vários anos constituiu uma falta de lealdade para com o partido e o seu líder.

Muitos argumentam que Ferreira Leite poderia e deveria ter evitado tal acto de deslealdade não o tendo afastado de cargos de poder dentro do partido. Essa tese até teria a sua lógica: manter o adversário por perto para melhor o poder vigiar. Eu não o faria e Ferreira Leite, não sendo calculista, também não o fez. Não por ele ter sido seu adversário mas por ele ter passado anos a preparar a sua própria candidatura e a minar a posição de Ferreira Leite.

Eu não sou militante do PSD portanto não poderei votar no futuro líder. Mas sou eleitor e sei que não quero como primeiro-ministro uma pessoa que, ao ser persistentemente desleal para com a sua adversária e líder, o foi para com o seu partido e, indirectamente, para com o país. Não quero Passos Coelho!
 
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