O diretor-geral de conteúdos da RTP, Luís Marinho, garantiu hoje que não tem "nenhuma ligação direta com a tutela", designadamente com o ministro dos Assuntos Parlamentares, e deixou claro que não foi "convidado pelo ministro Miguel Relvas" para as funções que exerce na RTP.
"Não pensei vir aqui justificar o meu cargo, fui nomeado pela minha administração, com o parecer da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), que não colocou objeções", afirmou o responsável na comissão parlamentar para a Ética, Cidadania e Comunicação, onde foi chamado para esclarecer sobre se existiu censura no chamado "caso Pedro Rosa Mendes".
Luís Marinho defendeu a autoria, em coordenação com os diretores da RDP, a decisão de pôr fim ao programa da Antena 1 "Este Tempo", onde colaboravam Pedro Rosa Mendes, António Granado, Raquel Freire, Gonçalo Cadilhe e Rita Mota, admitiu o "mau timing" da decisão, mas não excluiu que situações semelhantes voltem a acontecer.
"Enquanto eu for diretor não haverá qualquer intenção de censura"
"Não foi o timing ideal, já aqui foi reconhecido [de manhã, pelos ex-diretor de Informação da RDP, João Barreiros], teve más consequências para a empresa", admitiu Luís Marinho, para acrescentar: "quem não deve não teme e eu, pessoalmente, só tenho dívidas ao banco, a mais ninguém".
"Eu e os diretores que trabalham naquela casa, pensamos assim. Não houve nenhuma intenção de censura, não há nenhuma intenção de fazer censura na RTP, e enquanto eu for diretor naquela casa não haverá qualquer intenção de censura", rematou o diretor-geral.
Luís Marinho explicou, por outro lado, que as funções que agora assume determinam que tome decisões como a assumida de pôr fim ao programa de crónicas. "Quando fui administrador, tive que morder a língua às vezes, para não ter que ser mal interpretado.
Agora sou diretor de Conteúdos e tenho que ter opinião", afirmou.