Anterior
"Redução de quatro feriados é um absurdo", diz Carvalho da Silva
Seguinte
Honda High Noon: um cavalo inteligente vindo do futuro
Página Inicial   >  Atualidade / Arquivo   >  RTP: Comissão de Trabalhadores contra plano de sustentabilidade

RTP: Comissão de Trabalhadores contra plano de sustentabilidade

Comissão de Trabalhadores  da RTP considera que plano de sustentabilidade da empresa "não cumpre requisitos legais". Reestruturação prevê "saídas voluntárias" de até 300 funcionários e redução da informação.
Lusa e DN |
Jornalista Francisco Sarsfield Cabral (D), na foto com Cavaco Silva (E), entregou a sua demissão em outubro
Jornalista Francisco Sarsfield Cabral (D), na foto com Cavaco Silva (E), entregou a sua demissão em outubro / Ana Baião

Em comunicado divulgado hoje, a Comissão de Trabalhadores (CT)  da RTP afirma que o plano de sustentabilidade económica e financeira da televisão pública "assenta em pressupostos ilegítimos, porque defende soluções condicionadas à alteração da Lei do Serviço Público da Rádio e Televisão, só possível depois de votada na Assembleia da República".

Como exemplo, a CT aponta a alienação de um dos canais, da autonomização da RTP Açores e da RTP Madeira e a redução do cumprimento estipulado de serviço público.

De acordo o plano de reestruturação da empresa - documento que já teve cinco versões e deverá ser apresentado ao Governo até segunda-feira -, o programa de saídas voluntárias de "até 300 trabalhadores" vai estar concluído até ao final do mês, prevendo-se uma poupança na ordem dos 24 milhões de euros. 

Para a CT da RTP, "não está justificada" a necessidade de reduzir o número de efetivos, ao mesmo tempo que considera "inaceitáveis, porque impossíveis de concretizar, os cortes de financiamento como definido no documento.

Divergências provocam saídas no grupo de trabalho 


Nas vésperas da apresentação das conclusões do estudo do grupo  nomeado pelo Governo para definir o serviço público, três dos elementos da equipa apresentaram demissão por discordarem do plano de sustentabilidade e da redução da informação em antena: o jornalista Francisco Sarsfield Cabral; a professora da Universidade do Minho, Felibela Lopes, e  João Amaral.

De acordo com o antigo diretor de informação da Renascença, Francisco Sarsfield Cabral, o plano de sustentabilidade financeira da RTP já "prevê grande parte das medidas de serviço público", pelo que não "fazia sentido" continuar no grupo de trabalho.


"Apresentei a minha demissão a 30 de outubro e além disso já tinha dado os meus contributos ao grupo" sobre a definição de serviço público de comunicação social. "Fiquei espantado por haver já decisões" antes do grupo de trabalho ter concluído o documento final, adiantou, lembrando que não concorda com a existência de mais um canal que seja comercial.

O plano de sustentabilidade financeira da RTP prevê a alienação de um canal generalista e a manutenção de publicidade no que ficar no grupo de media estatal, entre outras medidas.

João Amaral, diretor de Edições Gerais do grupo Leya, alegou "razões pessoais" para deixar de fazer parte do grupo. Mas fontes garantem ao DN que terá saído por razões semelhantes às de Sarsfield Cabral.

A redução da informação em antena esteve na origem da saída de Felisbela Lopes que se demitiu ontem na reunião final do grupo de trabalho. Em declarações ao jornal "Diário de Notícias", a professora da Universidade do Minho justificou o seu afastamento: "não assino nenhum documento que não considere a informação como serviço estruturante do serviço público".

A pró-reitora disse ainda ao DN  que "na quinta versão do documento a que tive acesso, nenhuma das minhas propostas foi incorporada, e este documento defende a redução da informação da RTP, o que não concordo e configura um caso singular a nível global. No contexto em que vai ser privatizado um canal, pode estar muita coisa em causa", acrescentou.

Ainda segundo Felisbela, o argumento usado pelo coletivo foi o de "a informação ser sempre manipulada pelos políticos e, por isso, não valeria a pena ter esse conteúdo".

Recorde-se que  José Manuel Fernandes, membro do grupo, disse em entrevista ao jornal "i" que, por ele, encerraria a RTP Informação. A matéria foi também abordada por Eduardo Cintra Torres no livro "A Televisão e o Serviço Público".

 

Criado em agosto pelo Governo, através de um despacho que estabelecia um prazo de 60 dias para apresentação de um relatório sobre a definição de serviço público de comunicação social,  grupo de trabalho, coordenado pelo economista João Duque, integra ainda António Ribeiro Cristóvão, Eduardo Cintra Torres, José Manuel Fernandes, Manuel José Damásio, Manuel Villaverde Cabral e Manuela Franco.


"O Governo comprometeu-se a repensar o posicionamento do Estado, como operador, neste âmbito, tanto ao nível do Grupo RTP como da Lusa, Agência de Notícias de Portugal, S.A.", lê-se no despacho.

No mesmo texto, o Governo considera "indispensável ponderar e estabelecer uma adequada definição de serviço público que abranja os três segmentos do sector ainda sob tutela estatal, a saber, o da rádio e televisão e o da agência noticiosa".

Presidente da estação pública defende plano


O presidente da RTP, Guilherme Costa, disse ontem, na comissão parlamentar para a Ética, Cidadania e Comunicação,  que o plano de sustentabilidade económica e financeira da RTP permitirá uma redução de custos entre os 180 milhões e os 190 milhões de euros, respeitando assim o objetivo que o Governo "pretendia".

Guilherme Costa explicou aos deputados "os pressupostos" que estão por detrás do plano proposto pela administração da RTP ao Governo e aprovado pelo Conselho de Ministros no passado dia 24 de outubro.
"O plano solicitado em meados de agosto tinha três pressupostos políticos explícitos: uma redução muito significativa dos fundos públicos atribuídos anualmente, devendo situar-se o mais próximo possivel dos 150 milhões por ano", afirmou.


Além disso, acrescentou Guilherme Costa, "a RTP devia reestruturar-se, de forma a permitir a alienação de um dos seus canais. Finalmente, o novo serviço devia ter como prioridade a informação e dimensão internacional, embora incluindo conteúdos de entretenimento", doseados e adaptados aos seus públicos alvo.


O presidente da estação pública explicitou que as principais "linhas de força" do plano passaram pela "redução de custos", "redução do portefólio de atividades e serviços da RTP", não afetação da "lógica de existência de um serviço público de media, tendo em conta as limitações financeiras do país", e, ainda, um novo ciclo de sustentabilidade com uma "nova estrutura de capitais próprios sustentável".


Os trabalhos da administração da RTP, disse ainda Guilherme Costa, enfrentaram várias "dificuldades", pontuando o da RTP ser "uma empresa fortemente integrada, não um somatório de canais e antenas". Como exemplo, citou a  RTP Internacional, onde das 7860 horas de programação anual, "apenas 63 horas" são programação própria do canal. No caso da RTP África, das 7987 horas de programação, 2710 horas são programação própria. "Não podíamos perder esta base quando um dos grandes objetivos era a atividade internacional", explicou o gestor.

Ao longo de cerca de uma hora e meia, o gestor respondeu às perguntas dos deputados sobre o plano de sustentabilidade financeira, que prevê a autonomização dos meios de produção, integrados no futuro numa empresa de capitais mistos, rescisões amigáveis de cerca de 300 trabalhadores, a alienação de um dos canais generalistas, cortes de custos, entre outras medidas. Por mais de uma vez, Guilherme Costa reiterou que "esta foi a melhor" alternativa encontrada."Não fazer nada seria condenar. A pior coisa que podia acontecer à RTP era a asfixia económica", afirmou.


 


Opinião


Multimédia

Edwin. O rapaz que aprendeu a sonhar

O que Edwin sabia sobre a vida era sobreviver. Na cabeça dele não cabiam sonhos e os dias eram passados à procura de comida para ele e para a mãe e para o irmão. A fome espreitava nos cantos da barraca de palha no Quénia e ele escondia-se dela como podia - chupar as pedras era uma forma de a enganar. Mas a sorte dele mudou porque alguém viu nele outra coisa. E tudo começou numa dança. Agora, os mesmos dedos que agarravam as pedras tocam hoje teclas de um piano Bechstein. E os pés dele já não estão nus mas calçados. Com chuteiras. Primeiro no Benfica, agora no Estoril, o miúdo de 15 anos que fala como gente grande descobriu que tinha um sonho: ser futebolista. Como Drogba.

Em três quartos de hora não se esquece só a idade. "Esquece-se o mundo"

Maria do Céu dá três voltas ao lar sempre que pode. Edviges vai a todos os velórios, faz hidroginástica e sopas de letras. António dá um apoio na Igreja e nos escuteiros. Tudo é uma ajuda para passar os dias quando se tornam todos iguais. No Pinhal Interior Sul, a região mais envelhecida da União Europeia, quase um terço da população tem mais de 65 anos. Os mais velhos ficaram, os mais novos partiram.

Profissão: Sniper

O Expresso foi ver como são selecionados, que armas usam, para que missões estão preparados os snipers da Força de Operações Especiais do Exército. São uma elite dentro da elite. Um pelotão restrito. Anónimo. Treinam diariamente com um único objetivo: eliminar um alvo à primeira, mesmo que esteja a centenas de metros. Humano ou material. Sem dramas morais, dizem.

Xarém com conquilhas

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione com esta nova receita.

O que se passa dentro da cabeça dele

O que leva um tipo a quem iam amputando uma perna a regressar ao sítio onde os ossos se desfizeram, uma e outra vez, e testar os limites do seu corpo? Resposta: a busca pelo salto perfeito, que ele diz existir dentro dele e que ele encontrará mais dia menos dia. É a fé e a confiança que o movem e o levam a pular para lá do que é exigido a um campeão olímpico e mundial que não tem mais nada a provar a ninguém - a não ser a ele próprio. Este é um trabalho que publicámos em agosto de 2014, quando o saltador se preparava para os Europeus e falava das metas que tinha traçado para 2015 e 2016: mostrar que não estava acabado. Sete meses depois, provou-o no Europeu de pista coberta em Praga, onde venceu este fim de semana.

Amadeu, que aprendeu o mundo no campo e tinha o coração na ponta dos dedos

Em Portugal, a dedicação à língua mirandesa tem nome próprio: Amadeu Ferreira, o jurista da CMVM que - quando todos diziam que "era uma loucura impossível" - arranjou tempo para traduzir "Os Lusíadas", a "Mensagem", os quatro Evangelhos da Bíblia e ainda duas aventuras do Asterix para uma língua que pertence a um cantinho do nordeste português e é falada por menos de 15 mil pessoas. No final de 2014 deu ao Expresso aquela que viria a ser a sua última entrevista. Morreu no passado domingo e esta quinta-feira foi lançada a sua biografia, "O fio das lembranças", com quase 800 páginas.

Temos 16 imagens que não explicam o mundo, mas que ajudam a compreendê-lo

O júri do World Press Photo queria dar o prémio maior da edição deste ano (e talvez das edição todas) a uma fotografia com "potencial para se tornar icónica". A primeira imagem desta fotogaleria, por ser "esteticamente poderosa" e "revelar humanidade", é o que o júri procurava. A fotografia de um casal homossexual russo, a grande vencedora, é a primeira de 16 imagens de uma seleção onde há Messi desolado, migrantes em condições indignas no Mediterrâneo, a aflição do ébola, mistérios afins e etc - são os contrastes do mundo.

Vamos falar de sexo. Seis portugueses revelam tudo o que lhes dá prazer na cama

Neste primeiro episódio de uma série que vai durar sete semanas, seis entrevistados falam abertamente sobre aquilo que lhes dá mais satisfação na intimidade. Sexo em grupo, sexo na gravidez, prazer sem orgasmo e melhor sexo após a menopausa são alguns dos temas referidos nos testemunhos desta semana. O psiquiatra Francisco Allen Gomes explica ainda a razão de muitas mulheres fingirem o orgasmo. O Expresso e a SIC falaram com 33 portugueses que deram a cara e o testemunho de como são na cama. Ao longo das próximas sete semanas, contamos-lhe tudo.

Elvis. Gostamos ou não gostamos?

Ele não é consensual, mas é incontornável. Dispunha de penteado majestoso e patilha marota, aparentava olhar matador e pose atrevida. E deixou canções: umas fáceis e outras nem tanto, por vezes previsíveis e às vezes inesperadas, ora gentis ora aceleradas. E ele, Elvis, nasceu em janeiro de 1934 - há precisamente 40 anos, ao oitavo dia. Temos quatro textos sobre o artista: Nicolau Santos, Rui Gustavo, Nicolau Pais e João Cândido da Silva explicam o que apreciam, o que toleram e o que não suportam.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

Desfile de vedetas

Saiba tudo sobre os modelos concorrentes ao Carro do Ano 2015/Troféu Essilor Volante de Cristal. Conheça o essencial sobre os 20 automóveis participantes nesta iniciativa, da estética, às características técnicas, do preço ao consumo. A apresentação ficará completa no dia 3 de janeiro.

Tudo o que precisa de saber sobre o ébola. Em dois minutos

Porque é que este está a ser o pior surto da história? Como é que os primeiros sintomas se confundem com os de outras doenças? É possível viajar depois de ter contraído o vírus, sem transmitir a doença? E estamos ou não perto de ter uma vacina? O Expresso procurou as respostas a estas e outras dúvidas sobre o ébola.

Desacelerámos a realidade para observar a euforia da liberdade

Ela, Jacarandá, é algarvia. Ele, Katmandu, é espanhol. São linces e agora experimentam a responsabilidade da liberdade: foram soltos esta terça-feira numa herdade alentejana, próxima de Mértola, eles que saíram de centros de reprodução em cativeiro. Foi inédito: nunca tinha acontecido algo assim em Portugal. Estivemos lá e ensaiámos o slow motion.


Comentários 9 Comentar
ordenar por:
mais votados
"Não há dinheiro" - frase incompreendida
Sobre aspectos da legalidade das decisões, por ignorância, não teço qualquer comentário, mas…

… "inaceitáveis, porque impossíveis de concretizar, os cortes de financiamento como definido no documento.”

Esta frase define o estado de espírito dos muitos que “não acreditam”, talvez pela “dinâmica do passado.

Se fosse privada, não haveria “os cortes de financiamento impossíveis de concretizar” – Chegava ao fim do mês e pura e simplesmente não recebiam. Que é o que sucede no privado quando não há dinheiro.

O Estado já foi apelidado de “monstro”. Mas o que se verifica são a existência de “monstrinhos”. Monstrinhos na similitude com criancinhas mimadas.

Vivemos da “caridade” (já sei que pagamos juros. Mas convém recordar que não damos garantias de pagamento em tempo útil), existe talvez, mais de 1 milhão de pessoas sem emprego. Muitos concidadãos vão para a cama de barriga vazia e muitas mais empresas vão fechar.

E aparecem uns mentecaptos (medi as palavras) que exigem dinheiro dos contribuintes, para um serviço que, para mim, pode fechar.

  Já.

Se amanhã ligar a TV e não encontrar a RTP, tenho a certeza que não deixamos de ser independentes. A “Portugalidade” continua. A língua de Camões não morre. Não nos sentiremos mais infelizes por isso.

Mas esta gente não entende que não temos dinheiro?

Sócrates seria o responsável do bodo aos pobres. Mas que os “pobres” se banqueteavam, não se fartando da farta mesa, é um facto.

Agora, pedem mais...

Catarina Furtado ganha 30 mil euros
Re: Catarina Furtado ganha 30 mil euros
Re:
Ainda existe
Uma certa gente que não entende que os sacrifícios tem de passar por todos, mas são estes os verdadeiros patriotas?
forcas armadas
Já se lê que as Forcas Armadas estao do lado do povo. Estes mouros de merda andam a gozar com os portugueses. Ponham-se a pau antes que seja tarde. Espero que as Forcas Armadas cortem o male pela raíz.
MAL HABITUADOS

As mudanças em Portugal costumam ser do tipo: “Muda o disco e toca o mesmo”. Com o Plano elaborado pela Troika parece que as mudanças vão avançar. Só que os atores da Mudança são os mesmos. Começámos com os grupos de trabalho, começamos com as alterações ao plano da Troika, começamos com as tomadas de posição das corporações do costume, começamos com as greves…. Ainda não se viram mudanças. Tirando os cortes salariais mais gravoso do que costumavam ser.
Sempre os mesmos argumentos
Estas comissões de trabalhadores nem valia a pena serem entrevistadas. É tão óbvio que nunca estão de acordo com nada que tenha ver com retirada de privilégios.
RTP...
A RTP é mais um covil de privilegiados com salários milionários e regalia até dizer basta.
Os trabalhadores são contra o plano de sustentabilidade por que afecta os seus salários milionários e privilégios.
Com estas reivindicações por tudo e por nada, não tarda muito e uma nova ditadura surge de surpresa...
Comentários 9 Comentar

Últimas

Receba a nova Newsletter
Ver Exemplo

Pub