18 de abril de 2014 às 0:59
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Roupa suja

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Roupa suja
Esta foi a melhor semana dos últimos anos para falar com gabinetes ministeriais. Dos lados do PSD, só se fala de negócios obscuros de dirigentes centristas alegadamente prejudicados pelo governo. Do lado do CDS, a moeda é equivalente, mas sobre a inépcia política dos ministros do PSD e dos seus assessores. Gente já tinha saudades do clima de fim de ciclo

O mundo não para
Com tanta incerteza, a corrida às privatizações é o que sobra para negócios. Advogados, consultores e afins não têm olhado a meios para conseguir ficar com a conta dos novos donos da TAP. O mais disputado é o brasileiro-colombiano-polaco Efromovich, dono da Avianca, que para desespero de muitos não parece gostar de grandes escritórios e prefere negócios à moda antiga.

O sr. conselheiro
No convite para uma sessão a decorrer este sábado, a Câmara de Soure arranjou uma maneira original que apelidar António José Seguro: "sr. conselheiro de Estado".

Minoritários uni-vos
Apesar da crise, Paulo Portas não resistiu em sair de Portugal por umas horas. E lá foi ele direto a Berlim, para participar numa conferência internacional sobre os valores da Europa, a convite do seu homólogo alemão, Guido Westerwelle. Homólogo em vários sentidos: é MNE e também lidera um partido pequeno que faz a vida negra à chefe do Governo alemão. Portas deve ter vindo cheio de ideias para perturbar o PSD por uns meses.

Modelar ou remodelar?
A velocidade a que o Governo inova na linguagem política é estonteante. Depois de 'ajustar', eis que 'modelar' é usado por tudo e por nada. Tudo indica que o próximo verbo seja mais familiar aos leitores: 'remodelar'.

Nova banda sonora
Na última campanha eleitoral, Paulo Portas surpreendeu com a escolha de uma música pouco óbvia para os comícios do CDS: em vez do hino do partido, cantado por Dina, ou de uma música épica, no estilo do "Gladiador" de Sócrates, Portas escolheu um tema instrumental dos The XX, uma banda britânica de grande sucesso nos circuitos alternativos. Mais de um ano depois, Portas já não é candidato, é ministro e está coligado com o PSD, e os The XX já não são tão alternativos e têm disco novo. Mas, mais uma vez, são a música certa para o momento que o líder do CDS atravessa. O disco chama-se "Coexist", e um dos temas principais chama-se 'Chained'. Gente não encontraria melhor banda sonora para um líder que tem de coexistir com o parceiro de coligação ao qual está amarrado.

Gente revela poema inédito de Portas


O PSD já despachou o CDS?
No primeiro debate do novo ano parlamentar, Paulo Mota Pinto foi um dos protagonistas pela bancada do PSD. E, num momento de grande tensão com o parceiro de coligação, disse uma frase que fez sorrir vários deputados na bancada do CDS. "Partidos responsáveis, partidos de Governo, como o PSD e o PS, não podem deixar o país sem governo". Será que o PSD já despachou o CDS para o rol dos partidos irresponsáveis que não são 'de Governo'?

Ler jornais é saber mais
No mesmo debate parlamentar, outro deputado do PSD lançou uma frase de grande efeito. Emídio Guerreiro, vice-presidente do grupo parlamentar laranja, acusou o último Governo do PS de ter deixado o maior endividamento da história de Portugal. Gente recomenda a Emídio Guerreiro que leia um bocadinho mais. E nem precisa de ler livros de história (o que mal não faria). Basta que leia jornais.

Coligação 5
Representantes de cada partido na cimeira da crise. Quantos entram no governo na remodelação?

A palavra-chave é...
Perante a trapalhada em que mergulhou a coligação, um centrista bem informado dizia, um destes dias, que só via uma maneira de o Governo tentar dar a volta: "Isto só tem uma solução: começa por ere e acaba em emodelação." Esclarecidos?

Não preferirão ficar a sós?
Com a coligação a ferver, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, não escondeu a surpresa ao deparar-se, terça-feira, com uma cimeira entre os líderes das bancadas do PSD e do CDS. Luís Montenegro e Nuno Magalhães conversavam em pleno corredor da AR. Bernardino não resistiu e ofereceu uma sala do grupo parlamentar do PC, caso quisessem discutir mais à vontade.


Rui Ochôa
EM BUSCA DE MONTI Com o agudizar da crise, meio país político entreteve-se a descobrir quem seria o Mario Monti português, caso Cavaco decidisse fazer um governo de iniciativa presidencial. Na foto, tirada na Fundação Champalimaud, Marcelo parece sondar a disponibilidade de Almeida Santos. Ou não fosse o comentador perito em cenários políticos.

 


Ditosos filhos que tal pátria têm


Comendador Marques de Correia
comendador@expresso.impresa.pt

Indiferente às tempestades políticas, às manifestações milionárias (com um milhão de pessoas) e aos arrufos de governantes, aqui se declina e incensa aqueles a quem a Pátria deve a sua glória. Esta semana, temos uma senhora que depois de injustamente atacada, foi devidamente recompensada.

Maria de Lurdes Reis Rodrigues, que tem hoje 56 anos de vida mas muitos mais de experiência, é uma professora. Licenciou-se em Sociologia, mas omite o que fez até então. Provavelmente, por modéstia, não indica que foi professora primária de profissão e - segundo dizem, mas aqui não ponho as mãos no fogo - anarquista de paixão!

A vida começa, porém, a sorrir-lhe a partir das 28 primaveras, ano da licenciatura e do início das sua atividade como professora e investigadora no ISCTE. Mas seria em 2005 que dois momentos marcariam, indelevelmente, a sua vida. Saía do prelo uma das suas obras magnas, "O Papel Social dos Engenheiros", parte de um livro organizado por Manuel Heitor sobre a engenharia portuguesa, e o engenheiro que mais papel teve em Portugal, José Sócrates, convidava-a para ministra da Educação, depois de ela ter presidido ao Observatório das Ciências. Como membro do Governo, não há palavras para a sua ação. Apenas se sabe, pelas palavras da própria, que houve uma grande festa, e pelas palavras de outros, que essa grande festa custou uma fortuna. Também houve um Magalhães e um outro amigo a quem é acusada de ter dado emprego...

Tendo saído do Governo com toda a dignidade que uma mulher carrega quando 100 mil professores exigem a sua demissão, foi nomeada pelo supracitado engenheiro presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. Embora a língua de Shakespeare não fosse o seu forte (pelo que recorreu, então, a aulas de inglês), sabia o suficiente para dizer yes. Acoita-se, pois, no vetusto palacete da rua do Sacramento à Lapa, onde leva vida tranquila e recatada, ou, como diz o grande Luís de Camões, está "posta em sossego, de seus anos colhendo doce fruto". Como convém, aliás, a senhora da sua condição.

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