O Presidente Traian Basescu, que também esteve na mira da raiva dos manifestantes, nomeou hoje o antigo ministro da Justiça Catalin Predoiu primeiro-ministro interino, de acordo com a edição para a Europa do "The Wall Street Journal".
E está já marcada uma reunião, com legisladores, para o final do dia de hoje, sendo provável que o até agora partido do Governo, o Partido Democrata-liberal (PDL), avance com o nome do seu candidato a primeiro-ministro.
O Presidente da Roménia anunciou hoje a demissão do primeiro-ministro da Roménia, Emil Boc, que acabou com o braço de ferro entre o Governo e os "indignados". Desde meados de janeiro que os manifestantes protestavam contra as medidas de austeridade impostas aos contribuintes romenos e exigiam a demissão do chefe do Governo e presidente do Partido Democrata-liberal (PDL).
"Apresento a minha demissão porque não quero agarrar-me ao poder", declarou Emil Boc esta manhã depois de ter passado grande parte da noite em conferência com o Presidente Traian Basescu. Boc agradeceu aos "romenos por terem salvado a Roménia de uma falência económica" e acrescentou: "Pusemos em ordem as finanças do país".
Três semanas de protestos
Em 15 de janeiro, os "indignados" romenos tomaram de assalto a praça da Universidade de Bucareste exigindo a demissão do Governo de centro-direita, que impôs a mais dura política de austeridade da União Europeia: cortes de 25% nos salários do setor público, aumento do IVA de 19% para 24% e 200 mil despedimentos, em apenas dois anos. Isto num país que é considerado o segundo mais pobre da Europa e onde o salário médio é de 350 euros.
A oposição acusou o Governo de Boc de ignorar os protestos, o que acabou por espalhá-los a outras cidades do país.
Numa tentativa de justificar as medidas extremas do seu Executivo, Emil Boc declarou que, no momento de crise em que o país se encontra desde 2008, o Governo não tinha optado por entrar num concurso de popularidade, mas tinha agido para salvar o país.
O Governo de Boc encontrava-se em funções há três anos e meio e as eleições legislativas estão marcadas para novembro. Até ao momento, a hipótese mais provável é que um governo interino de tecnocratas assuma as funções até ao escrutínio. A oposição ao PDL, que é composta por socialistas e liberais mostrou-se, para já intransigente, e exige eleições antecipadas.
O presidente do Partido Liberal, Crin Antonescu, acrescentou mesmo que a demissão do Governo era "a vitória de todos os que se manifestaram exigindo mudança".