Roma e Madrid forçam Merkel a ceder
Dentro em breve, os instrumentos financeiros do euro poderão passar a intervir no mercado da dívida para apoiar países que cumpram todas as regras da disciplina orçamental, mas que por alguma razão se encontrem na mira dos mercados, precisamente o que acontece agora com Roma e Madrid.
Estes países terão que assinar um memorando de entendimento, mas não serão obrigados a cumprir novas condições macroeconómicas para beneficiar desta ajuda. Uma modificação que deverá ser operacionalizada já no dia 9 de julho pelos ministros das finanças dos países da moeda única.
A outra novidade é que a recapitalização dos bancos passará a ser feita de forma directa, sem passar pelo Estado, evitando assim o agravamento do défice e da dívida do país em causa. Uma decisão que tem particular interesse para Espanha, que recorreu recentemente ao apoio europeu para recapitalizar o seu sector bancário.
Esta modificação está no entanto sujeita a uma condição prévia e poderá demorar alguns meses até ser efetivada: antes terá que ser criado um mecanismo europeu de supervisão bancária, a partir do reforço das competências do Banco Central Europeu, uma exigência de Berlim. Decisão sobre supervisão é urgente
De acordo com o comunicado final da reunião da zona euro da madrugada desta sexta-feira, a decisão sobre a supervisão deverá ser tomada "de forma urgente, até ao fim do ano".
Este entendimento foi alcançado quando já passava das 4 e meia da manhã em Bruxelas, depois de os primeiros-ministros de Espanha e Itália terem bloqueado a aprovação do novo Pacto para o Crescimento pelos 27 países da União, com o argumento de que não era possível separar as duas questões.
A reunião dos 17 líderes da zona euro prevista para o almoço de sexta-feira foi assim antecipada de urgência para a uma da manhã para encontrar uma resposta ao bloqueio italo-espanhol.



