A probabilidade de um incumprimento da dívida portuguesa num horizonte de cinco anos desceu para 65,14% no fecho da semana, depois de ter atingido um máximo de 73,32% na segunda-feira, 30 de janeiro, segundo dados da CMA DataVision. Trata-se de uma contração de oito pontos percentuais.
O nível de risco regressou ao nível de 18 de janeiro. A distância em relação à Grécia ampliou-se. Também o preço dos seguros contra o risco de incumprimento (credit default swaps) baixou de 1554,69 pontos base na segunda-feira, um máximo, para 1240,15 pontos base.
No entanto, este nível elevado de risco mantém Portugal na segunda posição no TOP 10 de países com mais alta probabilidade de incumprimento no mundo, logo a seguir à Grécia que está com um nível de risco de 85,75%, próximo de uma situação de default iminente.
A distância de Portugal em relação ao Paquistão, que está em terceiro lugar naquele TOP 10, é de 20 pontos percentuais e em relação à Irlanda (outro país da zona euro com plano de resgate da troika, e que está em 7º lugar naquele "clube") é de 26 pontos percentuais. São diferenças muito acentuadas.
Apesar de um movimento geral de abrandamento do risco de incumprimento entre os "periféricos" da zona euro, refira-se que, sexta-feira, segundo dados da Bloomberg, as yields (juros) dos títulos do Departamento do Tesouro italiano e das obrigações espanholas estiveram a subir em todas as maturidades no mercado secundário.
Também os juros dos títulos belgas e austríacos subiram. No entanto, mesmo nos casos italiano e espanhol, os juros estão abaixo de níveis críticos - no caso dos títulos a 10 anos, os juros estão abaixo de 6% para o caso italiano e abaixo de 5% para o caso espanhol. Longe do limiar crítico dos 7%.
Mudança mundial na apreciação do risco da dívida
Refira-se que ocorreu uma mudança importante na avaliação do risco de incumprimento no mundo nos últimos três anos. A viragem deu-se com a crise da dívida na Europa, que começou por se desenvolver na Islândia em final de 2008 e na Irlanda em fevereiro de 2009 e que depois alastrou à Grécia em final de 2009 e a Portugal em 2010. Esta mudança na perceção dos investidores internacionais deixa muitos leitores e analistas perplexos pelo facto de estarem habituados a associar risco de bancarrota a países em desenvolvimento ou emergentes.
O TOP 10, outrora ocupado integralmente por países emergentes ou em desenvolvimento, foi invadido por países considerados desenvolvidos, como aconteceria com a Islândia (que entretanto saiu), Grécia (que viria a ultrapassar a Venezuela, Paquistão, Argentina e Ucrânia) que alcançou o 1º lugar, Irlanda (que desceu para a 7ª posição, depois de ter estado numa situação pior do que a portuguesa), Portugal (que acabaria por subir para o 2º lugar), Espanha (que entretanto saiu) e Itália (que foi o último a chegar a esta galeria e que permanece em 10º lugar, apesar do risco ter baixado de 37,58% em 6 de janeiro para 28,40% no fecho de hoje).