A semana abre com enorme pressão especulativa sobre os juros das obrigações do Tesouro (OT) portuguesas no mercado secundário, segundo a Bloomberg.
As maiores variações diárias no grupo de quatro países membros da zona euro sob observação dos mercados financeiros estão a ocorrer nas OT a 3 anos e a 2 anos. Os juros das OT a 3 anos estão em 12,75%. Também os juros das OT a 5 anos estão já acima de 12% e os juros relativos às OT a 2 anos aproximam-se dos 12%. Os juros das OT a 10 anos subiram para 10,62%.
A probabilidade de incumprimento da dívida soberana portuguesa, de acordo com a "temperatura" no mercado dos credit default swaps (seguros financeiros contra o risco de default), subiu para 47,4%, um patamar jamais atingido, segundo dados da CMA DataVision.
Crise grega marca o ritmo
A tendência de subida quer dos juros como da probabilidade de default não é exclusivo de Portugal. O risco de um impasse e adiamento das decisões sobre a crise grega no Ecofin de 20 de junho
, fruto das divergências sobre as condições de aprovação do segundo programa de resgate a Atenas, está a deixar os investidores à beira de um ataque de nervos.
A probabilidade de incumprimento da dívida grega está em níveis recorde: já está acima de 73%, com uma distância de quase 20 pontos percentuais em relação à Venezuela, o número 2 no TOP 10 dos países com maior risco de default. Os juros dos titulos gregos a 2 e 3 anos estão acima de 26%.
O risco de incumprimento por parte da Irlanda subiu para 46,2% e o de Espanha continua a subir estando hoje perto de 22%. No caso das obrigações espanholas, os juros a 10 anos já galgaram a linha dos 5,5%.
5 países europeus no clube do default
O "clube da bancarrota" - o TOP 10 dos países com mais alto risco de default da sua dívida segundo o monitor da CMA DataVision - já tem 4 membros da zona euro: Grécia que lidera, Portugal em 3º lugar, Irlanda na 4ª posição e Espanha em 9º.
O "clube" alberga, ainda, a Islândia, desde que este país regressou ao mercado na semana passada. A Islândia, que foi o primeiro país europeu a entrar em situação de pré-bancarrota, entrou para o 8º lugar e apresenta hoje um risco de 22,45%.
Os restantes cinco membros do "clube" são presenças crónicas, anteriores à crise da dívida soberana na Europa - Venezuela (2º lugar), Paquistão (5º), Argentina (6º) e Ucrânia (7º) - ou novos aderentes fruto das crises no Magrebe e Médio Oriente ou em países asiáticos. Esta semana, o 10º lugar está nas mãos do Vietname.