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Conferência Rio+20

Rio+20 "abandona o desenvolvimento sustentável"

A candidata verde às últimas presidenciais do Brasil, Marina Silva, critica a falta de compromisso em relação ao desenvolvimento sustentável. Clique para visitar o dossiê Conferência Rio+20
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Marina Silva na sua intervenção na Cúpula dos Povos
Marina Silva na sua intervenção na Cúpula dos Povos / Tiago Carvalho

Clique para aceder ao índice do Dossiê Conferência Rio+20
Marina Silva, a candidata ecologista às últimas eleições presidenciais do Brasil, onde obteve 20% dos votos, criticou o documento aprovado terça-feira à tarde no plenário da Conferência Rio+20, no Rio de Janeiro, dizendo que "há uma falta de compromisso dos países da ONU em relação ao desenvolvimento sustentável".

Em declarações a um grupo de jornalistas à entrada para um debate sobre a Carta da Terra, no Teatro Nelson Rodrigues, no centro do Rio de Janeiro, a ex-ministra brasileira do Meio Ambiente salientou que "as lideranças políticas do mundo têm a obrigação de dar uma resposta aos graves problemas que o planeta está a enfrentar e não apenas uma declaração genérica com objetivos genéricos para adiar o futuro".

A Carta de Terra, uma declaração de princípios sobre a vida, a integridade ecológica, a justiça social e económica, a democracia, a não violência e a paz, aprovada pela ONU depois da conferência do Rio de 1992, "é a cobrança desse compromisso e é disso que o mundo precisa", defendeu Marina Silva.

Questionada sobre o papel das ONG e do ativismo social para contornar estas questões e levar à construção de uma agenda mundial mais justa, a senadora afirmou que neste momento "o papel maior é mesmo dos governos, são eles que estão com poder decisão".

Líderes políticos "devem sair da omissão para o compromisso"


A sociedade "já fez a sua parte, agora é preciso que os líderes políticos saiam da omissão para o compromisso e assumam posição em relação à governação mundial do desenvolvimento sustentável, ao financiamento dos investimentos nos países em desenvolvimento", enfim, em relação "a tudo o que precisa de ser feito e não foi feito nestes últimos 20 anos".

O documento acordado na Rio+20 para ser discutido pelos chefes de Estado e de governo até 22 de junho "é fraco porque não trata dos recursos e da criação do fundo para financiar as ações de sustentabilidade nos países em desenvolvimento, e porque não tem um mecanismo de governação no âmbito da ONU para implementar a agenda".

Por outro lado, o documento "finaliza apenas com objetivos genéricos para o desenvolvimento sustentável que serão detalhados somente em 2015, ou seja, é uma demonstração de completo abandono da agenda do desenvolvimento sustentável aprovada na conferência do Rio de 1992".

Documento propõe criação de fórum intergovernamental


O texto aprovado, com base num documento lançado pelo Brasil, tem 49 páginas e propõe a criação de um fórum intergovernamental de alto nível para acompanhar a concretização do desenvolvimento sustentável, que substitua - aparentemente com mais poderes - a atual Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Por outro lado, é reconhecido que os países em desenvolvimento têm necessidades diferentes dos países desenvolvidos, e que por isso mesmo os primeiros necessitam de mais recursos financeiros para concretizar a agenda da ONU.

No entanto, caiu a ideia da criação de um fundo de quase 30 mil milhões de euros para apoiar as ações de sustentabilidade nos países pobres. O documento reconhece que a erradicação da pobreza é decisiva para o desenvolvimento sustentável, mas a expressão "pobreza extrema" da anterior versão do texto foi retirada.

Finalmente, a proposta de transformar o Programa da ONU para o Ambiente numa agência com poderes reforçados foi abandonada, ficando apenas a declaração de que as Nações Unidas se comprometem a fortalecer este programa.  

 



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Comentários 6 Comentar
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20 anos depois,a letra morta continua!
Os países esqueceram os compromissos assinadoos há 20 anos: é o que todos dizem hoje no Rio.
Mas já é uma esperança, lá terem voltado,para um novo grito de alerta e uma responsabilidade acrescida para cumprir o prometido e o que falta fazer.
É uma má noticia para a humanidade
Quando a última árvore for cortada, quando o último rio for poluído, quando o último peixe for pescado, aí sim os políticos e burocratas vão ver que dinheiro não se come…

"Proverbio Indígena"
até parece de propósito...
Por coincidência ou talvez não, esta crise económica dá muito jeito a quem sempre se opôs à implementação de políticas de proteção ambiental.
Re: até parece de propósito...
Desenvolvimento sustentável não existe
Por isso, fazem bem em abandonar essas quimeras.
Re: Desenvolvimento sustentável não existe
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Edição Diária 17.Abr.2014

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