25 de maio de 2013 às 2:33
Página Inicial  ⁄  Dossiês  ⁄  Dossies Economia  ⁄  Orçamento do Estado 2012  ⁄  Ricardo Costa: O tempo perdido e o que sobra

Ricardo Costa: O tempo perdido e o que sobra

Ricardo Costa (www.expresso.pt)

É nestes momentos que se percebe com clareza que andámos meses e meses a falar de coisas sem relevância. E que agora caminhamos inexoravelmente para uma recessão com um fim duvidoso

Em qualquer crise o tempo de resposta é um fator crítico. Responder muito depressa pode ser um erro grave. Mas atrasar a resposta pode ser fatal. Sobretudo quando esse atraso obriga a medidas extremas num prazo muito curto. É neste ponto que Portugal está.

Vivemos um longo período de pré-crise política, onde partidos e eleitores se enganaram uns aos outros. Quando o PS brandia submarinos que estão pagos o PSD respondia com mordomias e luxos de boys ou empresas públicas. Todos teriam as suas pequenas razões, mas com essa discussão enganaram um país inteiro. Um país que foi achando que a crise acabaria no dia em que se fundissem institutos ou se renegociasse uma ou duas PPP.

O PS foi especialista na estratégia de adiar a realidade, com Sócrates a conseguir a proeza de anunciar desgraças como se fossem as últimas, culpar os outros pelo mal e apadrinhar o bem que restasse.

Sócrates apenas adiou o seu fim. Virámos a página mas continuámos a perder tempo. No meio de medidas estruturais e corajosas, o novo Governo incentivou um discurso de caça ao luxo e aos ricos do Estado (com conceitos miseráveis de luxo e de ricos) e divulgou medidas sem impacto na despesa. O fim da gravata no Ministério da Agricultura continua a deter a medalha de ouro da baixa demagogia.

A divulgação a conta-gotas destas pequenas medidas e dos gastos excessivos do PS teve um efeito grave. Muito boa gente achou que isso resolvia o problema. E esse é o pecado capital do Governo. Vítor Gaspar, que sempre soube o que tinha pela frente, devia ter proibido esses pequenos enganos: quando um país tem de fazer num só ano um corte de oito mil milhões de euros no orçamento, não há gravatas ou mordomias que nos valham. Só cortando em salários ou pensões é que se chega lá.

Chegámos, como sempre, tarde ao problema. E, como sempre, temos de travar mais do que os outros. A Irlanda, que está a regressar ao crescimento, vai ter em 2012 um défice de 8,6%. E nós? Queremos ir diretos para 4,5%! Recordistas nos adiamentos, queremos agora ser recordistas na correção do défice. Não tenho grandes dúvidas sobre o caminho a seguir, mas tenho imensas sobre a velocidade da viagem. Cortar o défice, recapitalizar a banca e reformar a economia no meio de uma recessão e de uma crise de dívida pública são coisas que nunca foram feitas em simultâneo.

Só temos uma esperança. Que a UE nos dê mais um ano ou dois para equilibrar o défice. Podemos cortar a sério, mas a recessão dará cabo de todas as contas. Não vale a pena fingir que não é assim.



Artigo publicado na edição impressa do Expresso de 15 de Outubro de 2011

Comentários 19 Comentar
ordenar por:
mais votados ▼
Re: Ricardo Costa: O tempo perdido e o que sobra
Recordista da correcção do deficit?!? Será que Ricardo Costa sabe que não foi este governo que negociou as metas e sim o do seu irmão? Será que sabe a Irlanda vem de um deficit acima dos 30%? Será que sabe que em 2009 quando Sócrates andava a aumentar ordenados e a baixar impostos, a Irlanda fazia exactamente o contrário? Será que sabe que a Irlanda continua a ter a carga fiscal mais baixa da UE? Será que sabe que a Irlanda é o país com maior produtividade da UE? Será que sabe que sabe que apesar da crise a Irlanda continua a ter os ordenados bem acima da média Europeia? Eu acho que sabe.......mas não diz!
Re: Ricardo Costa: O tempo perdido e o que sobra Ver comentário
Re: Ricardo Costa: O tempo perdido e o que sobra Ver comentário
Re: Ricardo Costa: O tempo perdido e o que sobra Ver comentário
Re: Ricardo Costa: O tempo perdido e o que sobra Ver comentário
Re: Ricardo Costa: O tempo perdido e o que sobra Ver comentário
Portugal tem futuro,porque Sócrates foi embora
Foi a nossa sorte:parabéns Povo Português porque o soube pôr no ôlho da rua!
Começou em 2009...
O caminho para o abismo acentuou-se em 2009, com o país em campanha em 3 eleições que ninguém quis reduzir a 1 ou 2. Depois os partidos não aceitaram os resultados das legislativas e ficámos com um governo minoritário e a prazo, à espera do momento oportuno para deitar abaixo. Presidente e partidos da oposição foram cúmplices deste destino trágico... a crise politica em que vivemos desde 2009 teve custos gravíssimos que agora todos querem imputar ao Sócrates, mas todos foram coniventes. Passos Coelho, como é evidente não tinha estudado as propostas que fazia nem tinha qualquer solução na manga... todos os dias criticava os números das previsões do desemprego, inflação, crescimento, etc. agora tudo está pior e é ele que diz que ainda vai piorar mais, para mostrar que fala verdade e é diferente do outro... As gorduras da estado, pelos vistos, eram os subsídios de férias e Natal da função pública e pensionistas...
Re: Começou em 2009... Ver comentário
o tempo perdido...
porque é que o sr. ricardo costa não diz o que pensa como o seu colega pedro adão, será que tem medo de ser despedido?
este governo está a fazer tudo ao contrário daquilo que disse quando estava na oposição. deveria ser corrido á porrada.
Cortes 'a lo loco'...Grécia à vista!
Não sou funcionário público. Sou economista e actualmente um pequeníssimo empresário do comércio tradicional(calçado)
com quebras de 20% nas vendas deste ano.
Domina hoje o pensamento dos comentadores e políticos, que crescer é exportar! Sem dúvida primordial, mas de todo insuficiente se não falarmos também em substituir importações, ou se julgarmos que aniquilar o consumo via diminuição drástica do rendimento disponível resolve algo. Apenas conseguirão liquidar o mercado interno, do qual
a maioria das empresas vive (nomeadamente as PME).
Esta corte 'a lo loco' de 14% a 1,3 milhões (?) de famílias de funcionários dependentes do Estado,
representa mais de 20% (novos IRS, IMI, etc) no rendimento de 40% da população (1,3 milhões x 3 pessoas família).
Já imaginou as consequências de uma descida de (por ex.) uns 15% no consumo interno?
Até trabalhar +0,5 h/dia vai afectar o pequeno comércio, pois as pessoas ficam sem aquele pequeno período do fim de dia para fazer compras, atirando-as para os centros comerciais, maioritáriamente de lojas estrangeiras. Nas gorduras do Estado cortam só 100 milhões, quando os buracos aparecem aos milhares de milhões...SOLUÇÃO?
Só vejo uma, aumentar um(?) par de anos ao período para fazermos o ajustamento necessário.
Penso que tentar baixar mais do que 1,5 % ao ano no peso do défice sobre o PIB, tem consequências demasiado recessivas, não se atingindo o resultado pretendido...
Da forma que o Governo pretende, não dá!
Porreiro pá !
Porreiro pá !
Incompleta esta análise e tantas outras que perdem tempo em falar de nibharias !
Porque não exigir que as grandes empresas e a banca, aquelas que acumulam milhões cá dentro para investirem lá fora e desviarem esses lucros para os paraísos ..., deixem de dar lucro durante cinco anos ? Porque não por a energia barata, em vez de a aumentar, para ajudar a economia ... a banca pode ajudar ou só sugar ?
Ou serão os descontos do trabalhador que querem ver fazer milagres ?
Coloquem-se numa rua de Lisboa e vejam que os autocarros de última geração até se "atropelam", fazem bicha " e, muitos vazios ! Para mostrar o quê ? Podemos poupar ? Podemos vender metade da frota ? Vejam as outras capitais europeias, poucas têm um metro ou carros como a nossa ? Estarão eles em austeridade ou somos nós que temos gestores faraónicos ? Gestores honrados , precisam-se ! O orçamento de base zero será o único capaz de travar estes "gajos" ! E estes devem ir a tribunal, não para pagarem com dinheiro, mas para que o povo saiba quem os roubou e os filhos deles não lhes sigam as pisadas. Moralização e governar pelo exemplo é o que poucos "querem" entender o que é .
Este Costa é um castiço...
Aquele pormenor dos submarinos que estão pagos é cómico!
Muito me ri!
Quanto à recapitalização da banca, já não acho tanta piada.
Afinal, se a economia precisa de dinheiro e os accionistas privados dos bancos não o têm, não percebo como é que os governos o vão buscar ao único sítio possível, aos impostos, para o entregar nas mãos dos bancos, que por sua vez o vão emprestar com largos juros. Há aqui qualquer coisa que não bate certo, ou não? É isto a economia de mercado? Não me parece.
Re: Este Costa é um castiço... Ver comentário
E porque não sermos a Argentina da Europa?
Sim, porque o caminho que levamos é igualzinho ao da Grécia!
Vamos fazer todos os sacrifícios, inúteis, e estaremos sempre pior, e a pedirem-nos mais sacrifícios... estéreis!

Tenhamos a coragem de enfrentar o corno !

Ou o BCE nos 'empresta' a taxas razoáveis, 3%, a par dos 'sacrifícios, ou seguimos o nosso caminho!!

Irra!!
É simples!!

Doutos,
O Ricardo Costa confunde o act gov. com os média
Acho injusto este artigo.

Entrado quase em final de Junho, com negociações a decorrer com a UE, repartido entre responsabilidades imensas e numerosas (não se iriam sentar, dizia Teixeira dos Santos), este governo teve a lucidez de antecipar medidas para cumprir o deficit.

Foram criticados por todos, sobretudo pelos analistas da economia, por estarem a precaver-se à custa de um esforço desnecessário do contribuintes.

No entanto, se não o tivessem feito, com todos os desvios que estavam ocultos, estariamos já em incumprimento.

O que é que teria feito o PS? Não antecipava nada, escondia os números e lá se ia a ajuda da troika.
Dúvidas? então não chegámos ao 1º semestre com 70% do deficit permitido já consumido?

Alguma vez o PS foi capaz de tomar medidas impopulares?

Quantas é que este governo já não tomou? Quantas reformas estão previstas.

Quem andou a apresentar aspectos mínimos como actos de governação foram os media. A História das gravatas não foi apresentada pela ministra da agricultura como medida de poupança. foi trazida pelos média. E como esta, outras, que a imprensa só se interessa por coisas ou bombásticas ou insólitas. O Ricardo Costa sabe isso, ele até trabalha num jornal!
Re: O Ricardo Costa confunde o act gov. com os méd Ver comentário
As diferenças
Ricardo Costa, não poderá ser espicassado pelo facto de ter um irmão com o qual poucos portugueses simpatizam e que se instalou na CML.Pior ainda foi mais um insencivel que para pagar a benesse de ter sido eleito, se endividou na banca para o aumento dos ordenados da função pública.
Devo aqui referir que ouço com prazer os comentários de Ricardo Costa que para grande surpreza minha não estão subjugados à posição do Sr Costa camarário.
Viver com Dignidade
Estão a querer por este Povo na miséria. Comparando com a grécia, Portugal continua com um ordenado minimo de 480 euros, na grécia é de 700 euros, não brinquem com o Povo, querem é dar cabo das familias e do meu querido Portugal. O País está como está por culpa dos pedófilos, dos corruptos e dos chulos.
PUB
PUB
Expresso nas Redes
Pub