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Santos Silva: renovação da geringonça “exigirá um nível de comprometimento superior àquele que se verifica neste mandato”

Um novo acordo tem de significar avanços “também na política externa e europeia”, diz o ministro dos Negócios Estrangeiros em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença

O Bloco de Esquerda irá discutir, na sua próxima convenção nacional, uma moção em que o partido se oferece para ir para o Governo – ou seja, uma possível coligação com o PS, já em 2019. Para Augusto Santos Silva, a possibilidade de uma geringonça a dois não está afastada à partida, mas “a forma é secundária”.

“A questão essencial é: se nós – como eu espero – caminharmos para a renovação da atual solução política, ela exigirá certamente um nível de comprometimento nessa solução que será superior àquele que se verifica neste mandato”, avisa o ministro dos Negócios Estrangeiros, em entrevista ao “Público” e à Rádio Renascença esta quinta-feira.

Segundo Santos Silva, na próxima legislatura, já não se pode fazer um acordo fundado na melhoria dos mínimos sociais, na reposição de rendimentos, pois isso já foi feito. “Temos todas as condições para fazer um acordo que signifique um avanço no que diz respeito a políticas estruturais que o país precisa no domínio do território, ambiente, transição energética, política económica e também na política externa e europeia”, precisa.

Apesar das recentes críticas de Jerónimo de Sousa ao Governo, Augusto Santos Silva também não afasta a possibilidade de o PS voltar a entender-se com o PCP e o Bloco de Esquerda. “Do lado do PS, o secretário-geral já disse que, do nosso ponto de vista, a atual solução política resultou bem e, como tal, pode ser renovada”, afirma.

O aumento das vozes críticas não passa, então, de uma manobra eleitoral. “O essencial dos acordos conjuntos está cumprido e cada um dos nós tem de trabalhar no programa que vai apresentar tendo em vista as próximas eleições. É natural que cada um queira aumentar a sua influência política e eleitoral”, aponta.

Brexit, uma “preocupação” cada vez maior

Quanto mais tempo durar o impasse do Brexit, maiores serão as consequências e os seus potenciais “efeitos catastróficos”. “Estou muito preocupado com a negociação do Brexit. O referendo foi em junho de 2016 e ainda não sabemos o que o Governo britânico realmente quer. O risco de chegarmos a outubro com a negociação ainda bloqueada como está agora é um risco real. Temos de ter um acordo. A pior coisa que nos podia acontecer é chegar ao dia 29 de Março de 2019, dia em que formalmente o artigo 50 é activado, e não termos um acordo sobre o período de transição e o futuro”, admite Augusto Santos Silva.

Para o governante, os britânicos estão a aprender agora que “o processo de integração europeia tornou-se um processo tão presente na nossa vida quotidiana, na organização da nossa sociedade que é preciso ter muito cuidado quando se o põe em causa”.

“No dia em que sair da UE, o Reino Unido abandonará automaticamente 750 acordos internacionais diferentes. Neste momento, há um impasse. A primeira fase de negociações correu bem, mas depois quando chegou à fase de resolver a questão espinhosa da fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte e começar a trabalhar na relação futura verificou-se um impasse e é preciso trabalhar para superar o impasse”, disse.

Ida de Rui Rio a Angola foi combinada com o Governo? “Não respondo a essa pergunta”

Augusto Santos Silva vê com “toda a naturalidade” a visita de Rui Rio, o novo líder do PSD, a Angola, no mês passado. “A relação entre partidos também ajuda à relação entre os Estados. Neste momento, cinco dos sete partidos representados no Parlamento têm uma boa relação com o MPLA”, diz.

Ainda assim, quando questionado se as visitas de Rui Rio e Assunção Cristas a Angola, que já ocorreram este ano, terão sido articuladas com o Governo angolano, o ministro dos Negócios Estrangeiros escusa-se a responder. “Não respondo a essa pergunta”, atira.

“Em matérias de soberania, incluindo o MNE e política externa, tenho canais de informação e comunicação com os partidos políticos que permitem ter fluxos de informação que não são públicos. Como não são públicos, não tenho nenhum comentário a fazer acerca deles”, justifica.