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Sérgio Sousa Pinto: Geringonça funciona porque, “em tudo o que é essencial, o PCP e até o BE não são tidos em consideração”

Alberto Frias

Apesar dos resultados conseguidos, no futuro, o PS não pode, nem deve, privilegiar alianças com os partidos à esquerda, defende Sérgio Sousa Pinto, em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta quinta-feira

O Governo criado por António Costa, a “geringonça”, tem funcionado porque, “em tudo o que é essencial, o PCP e até o BE não são tidos em consideração - da política de alianças de Portugal à política europeia, à prioridade absoluta ao equilíbrio orçamental”, afirma Sérgio Sousa Pinto, deputado do PS e presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros, em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta quinta-feira.

“Isto vai intrigar os historiadores da posteridade: como é que nós atingimos resultados históricos em termos de consolidação orçamental com um Governo que se apresentou ao país como uma espécie de frente popular? Mas o que é certo é que em tudo o que é essencial ninguém pode acusar este Governo de ter cedido ou transacionado nada de fundamental com os seus aliados políticos”, atirou.

Apesar dos resultados conseguidos, no futuro, o PS não pode, nem deve, privilegiar alianças com os partidos à esquerda, defendeu Sousa Pinto. “Não vejo razão para o PS considerar que o seu papel é organizar um frentismo de esquerda, uma cruzada contra a direita, para salvar o país das garras da direita”, disse.

“O lugar do PS é perceber que há certas reformas de que o país precisa que só podem ser feitas com a esquerda; e que há reformas de que o país precisa que só podem ser feitas com a direita. O país tem grandes dificuldades em vencer resistências, no sentido de se reformar e modernizar”, explicou.

Angola. O “irritante” Manuel Vicente

O desfecho do caso Manuel Vicente - em que a Justiça portuguesa, depois de um drama diplomático que durou meses, decidiu enviar o processo do antigo vice-presidente angolano para Luanda -, deixou Sérgio Sousa Pinto desconfortável.

“Devo dizer que fiquei muito surpreendido. Não porque a solução seja negativa ou positiva, mas porque não percebo como é que agentes políticos geralmente tão prudentes em relação a decisões do poder judicial, que gostam de enfatizar que "à política o que é da política, à justiça o que é da justiça", de repente se pronunciem com um entusiasmo quase infantil - só faltava terem dançado apopleticamente, tão transidos estavam de felicidade por aquela decisão do poder judicial. Abraçaram e aplaudiram freneticamente uma decisão do poder judicial”, afirmou.