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Barrigas de aluguer: 90% das doadoras de óvulos aceitam revelar identidade, mas homens recusam

Ian Waldie / Getty Images

Para os juízes do Tribunal Constitucional, as crianças geradas através de meios de Procriação Medicamente Assistida (PMA) devem poder conhecer mais tarde, e se quiserem, quem foram os dadores

Depois do chumbo do Tribunal Constitucional a algumas das normas da Lei da Procriação Medicamente Assistida (PMA), em particular aquela que determinava o anonimato do dador, os responsáveis das clínicas de fertilidade viram-se obrigados a contactar quem doou esperma ou ovócitos, perguntando-lhes se estão dispostos a revelar a sua identidade. Para os juízes do TC, lembremos, as crianças geradas via PMA devem poder conhecer mais tarde, e se quiserem, quem foram os dadores.

Segundo o “Diário de Notícias” esta quarta-feira, 90% das mulheres inquiridas têm vindo a responder que “sim”, mas, da parte do homens, a quebra do anonimato tem sido mal recebida.

“As doadoras de óvulos têm aceitado bastante bem a questão do anonimato. Nenhuma das que estavam em processo desistiu e das 20 que vieram a uma primeira consulta apenas duas não aceitaram prontamente o eventual não anonimato e quiseram mais alguns dias para pensar no assunto”, explicou Sérgio Soares, diretor das clínicas IVI, com espaços em Lisboa e em Faro, e responsável pelo nascimento de cem crianças por ano com recurso a doações.

Quanto aos homens, disse, o cenário é diferente: “só aceitam que o seu material seja utilizado no contexto que vigorava quando aceitaram doar”.

“É natural que haja um período de transição e adaptação das mentalidades à nova realidade e estamos a tomar medidas para garantir o aumento de número de doadores. E, se necessário, podemos importar de países nos quais os doadores não sejam anónimos, tal como indicou o CNPMA”, afirmou.

De acordo com o médico Sérgio Soares, cerca de 500 bebés nascidos em 2017, em Portugal, foram fruto de gâmetas doados - mais 200 dos que os 300 registados em 2015 pelo Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA).