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Centeno: OE 2019 “depende menos de mim do que imaginam”

Tiago Miranda

Para Mário Centeno, a discussão em torno da possibilidade de se manter como ministro das Finanças, caso o PS vença as eleições legislativas de 2019, “ainda vem muito longe no tempo”

Com a discussão em torno dos aumentos na Função Pública ao rubro e depois de ter dito, esta terça-feira, que “nunca disse nunca” a esses aumentos, Mário Centeno, em entrevista ao “Jornal de Negócios” esta quarta-feira, opta por desvalorizar o seu papel no desbloqueamento de verbas para o Orçamento de Estado de 2019.

“O Orçamento de 2019 depende menos de mim do que imaginam”, afirma. Segundo ele, o ministro das Finanças “manda menos” do que parece. No fundo, é sempre a conjuntura económica que dá abertura ou não às medidas exigidas.

“O papel do ministro das Finanças, felizmente, e em particular no contexto atual, é um papel de coordenador de um exercício hiperdescentralizado de execução orçamental, de milhares e milhares de entidades da Administração Pública. A minha função é perceber se os meios que temos disponíveis são dirigidos para onde o Governo e a Assembleia da República decidem que eles devem ser dirigidos. Há um conjunto muito grande de decisões que tem de ser agregado. O ministro das Finanças é o agregador dessas decisões todas e é responsabilidade dele – e é uma grande responsabilidade, acreditem – que elas todas batam certo de modo que o país possa cumprir todos os seus objetivos”, diz.

Na mesma entrevista, Centeno recusa também a ideia de que tem sido evasivo nas suas respostas aos jornalistas quando questionado sobre os aumentos na Função Pública. “Não tenho sido evasivo, tenho insistido naquilo que o ministro das Finanças deve fazer: na procura de um equilíbrio. E há uma coisa em que eu não sou nada evasivo: nunca me verá associado a afirmações que eu não sinta que não podem ser cumpridas, executadas”, responde.

Para Centeno, a discussão em torno da possibilidade de se manter como ministro das Finanças, caso o PS vença as eleições legislativas de 2019, “ainda vem muito longe no tempo”. Quanto à declaração de Luís Marques Mendes, no domingo, na SIC, de que Centeno quer ser vice-presidente da Comissão Europeia – na sequência da notícia revelada pelo Expresso, na véspera,de que o ministro das Finanças não deve continuar no Governo depois de 2019 e prepara a ida para comissário europeu –, o ministro reage e diz que essa é “extemporânea”.

“Não sei se ele [Marques Mendes] utilizou o verbo querer. Mas, se usou, não conhece exatamente o meu pensamento. Essa questão, mais uma vez, não se põe agora. É extemporânea”, diz.

De acordo com Centeno, Portugal precisa de ter uma participação “muito ativa na construção europeia”. “É assim que vejo e é nesse sentido nacional do desempenho do que são as minhas funções de hoje que nós nos podemos projetar no futuro. Primeiro o país, depois o Governo. Mário Centeno tem muito tempo para tomar decisões”, justifica.