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No hospital de Aveiro há quem espere três anos por uma consulta de dermatologia

O melhor prognóstico para este ano indica que 800 jovens médicos não vão ter lugar no Serviço Nacional de Saúde para iniciarem a especialização

Paulo Vaz Henriques

Pelo menos 74 consultas espalhadas por todo o país apresentavam, em novembro do ano passado, tempos de espera médios acima de um ano, o que afetava cerca de cem mil doentes, de acordo com dados do Ministério da Saúde

O tempo de espera para consultas de especialidade continua a ser um problema prevalente do Serviço Nacional de Saúde. De acordo com dados de 30 de novembro, os últimos disponíveis no portal do Ministério da Saúde, pelo menos 74 consultas espalhadas por todo o país apresentavam prazos médios acima de um ano, o que afetava cerca de cem mil doentes, avança o “Diário de Notícias” esta terça-feira.

Estes tempos de espera exorbitantes são particularmente graves, tendo em conta que os tempos máximos de resposta para uma consulta normal não deviam exceder os 150 dias.

O caso do hospital de Aveiro é um dos mais graves: há quem espere há mais de três anos por uma consulta de dermatologia, segundo dados do ministério.

Questionado pelo “DN”, o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV), que inclui o Hospital Infante D. Pedro, de Aveiro, revela que desde de dezembro já conseguiu reduzir os tempos de espera para a consulta prioritária de dermatologia, embora admita que continuam acima do desejado: 984 dias, quase três anos.

“A verdade é que os tempos elevados se justificam pelo insuficiente número de médicos desta especialidade e, a este respeito, a direção clínica esclarece que o Centro Hospitalar solicitou vagas de várias especialidades, entre as quais as de dermatologia e reumatologia, sendo que, no último procedimento concursal para recrutamento de pessoal médico, não foi atribuída a este Centro Hospitalar nenhuma vaga de reumatologia, tendo sido atribuída uma vaga de dermatologia – de resto, a única vaga da região Centro – à qual não concorreu nenhum recém-especialista”, justifica o CHBV.

Os elevados tempos de espera para as primeiras consultas de especialidades hospitalares são um dos problemas crónicos do SNS que o sistema de Consulta a Tempo e Horas (CTH) tem tentado minimizar. A ferramenta inclui as especialidades com maiores dificuldades de acesso, como a dermatologia, e a respetiva referenciação entre unidades para aumentar a celeridade da resposta.

Doentes podem escolher consultas com menor demorada

Cabe ao médico assistente, desde logo nos cuidados primários, aceder ao sistema e informar o doente sobre os tempos de espera previstos para que possa optar: ou espera ou vai a outro hospital. "No momento da inscrição no sistema CTH, o médico assistente indica logo se há ou não urgência na realização da consulta no hospital. No hospital, um especialista avalia a situação e decide quando deve ser marcada a consulta. Pode ser atendido em 30 dias, 60 ou 150 dias, de acordo com o que é indicado para o caso. O prazo máximo atribuído ao hospital para marcar a consulta é de 5 dias", é explicado na página da Administração Central do Sistema de Saúde na internet.

Segundo a legislação em vigor, "a constatação de tempos de resposta para uma determinada especialidade num hospital de referência, com prazos superiores aos definidos nos números anteriores, habilita o médico assistente a referenciar o pedido para outra instituição hospitalar da rede do SNS, o mais próxima possível da residência do utente, que apresente tempos de resposta mais céleres na mesma especialidade, devendo, para o efeito, obter o acordo do utente".