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Catarina Martins: “Não podemos deixar que para Mário Centeno possa brilhar os serviços públicos fiquem às escuras”

tiago miranda

Segundo a líder bloquista, as negociações do Programa de Estabilidade já arrancaram, mas não estão a correr bem

Para Catarina Martins, sonhar com um défice zero em 2019 “é muito perigoso”. A folga orçamental conseguida nos últimos dois anos, com o crescimento da economia, devia ser utilizada sim no investimento público.

“O Governo devia rever claramente era as suas metas de investimento na saúde e educação, como noutros serviços públicos. O PIB está a crescer e o nosso investimento em sectores essenciais é cada vez mais baixo. E é preciso ter cuidado, porque nós não podemos deixar que para Mário Centeno possa brilhar os serviços públicos fiquem às escuras”, atirou a líder do Bloco de Esquerda, em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta quinta-feira.

Segundo a bloquista, as negociações do Programa de Estabilidade já arrancaram, mas não estão a correr bem - nem o Programa de Estabilidade “já não tem o peso que teve”, disse.

“Há divergências de fundo, há mudanças que exigem que haja mais força à esquerda. A história desta legislatura é a história do confronto entre o PS e os partidos à sua esquerda. A direita ficou enredada no seu próprio passado e na sua incapacidade, sem ter alternativa económica ao que se está a passar. E portanto a história da legislatura fica nas tensões entre o PS e os partidos à sua esquerda. O BE tem estado a protagonizar parte dessas tensões - e a energia é uma dessas medidas. Nós conseguimos medidas muitas reduzidas, mas é tão pouco que as pessoas ainda não sentem na fatura”, explicou.

Polémica na cultura

O orçamento para a cultura é muito baixo, logo “não permite que o Estado funcione normalmente”. Por outro lado, o “Governo decidiu fazer algumas alterações de modelo de concurso que foram muito mal explicadas ao sector e que, portanto, criaram uma enorme incompreensão e resultados que põem em causa estruturas [culturais]”. É assim que Catarina Martins explica a polémica em torno do ministério da Cultura.

De acordo com a líder do Bloco de Esquerda, este é um problema que só poderá ser resolvido a longo prazo. “O que é preciso é que o Governo faça agora o que não fez em tempo (aliás, o BE propôs no Orçamento do Estado uma solução que permitia que isto não tivesse acontecido, do ponto de vista de verbas): é basicamente não permitir que nenhuma estrutura feche para já, encontrar a verba para o fazer; e depois pensar o modelo de como se financiam as artes em Portugal”, disse Catarina Martins.

Investimento. Costa “não pode dar poder de veto ao PSD sobre investimento”

Após a eleição de Rui Rio para a liderança do PSD, António Costa lançou uma conversa com o PSD sobre os fundos comunitários e sobre descentralização. Segundo Catarina Martins, “é mau sinal a ideia de que, no meio da legislatura, com a atual maioria, se diga que os investimentos públicos têm que ser aprovados por dois terços [dos deputados]”.

Para a líder do BE, Costa - de forma informal - deu poder de veto ao PSD sobre o investimento. “Sobre essa matéria temos uma divergência clara com o primeiro-ministro. Não tem nenhum sentido que a direita tenha opção de veto sobre investimentos que a maioria parlamentar pode decidir e debater à esquerda. Isso é deixar tudo como estava”, disse.