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Eduardo Cabrita nomeou o oficial que parou a fita do tempo em Pedrógão

O ministro da Administração Interna escolheu Albino Tavares, no final de fevereiro, para exercer funções de adjunto do presidente da Autoridade de Nacional de Proteção Civil, Mourato Nunes. Tavares tinha sido exonerado pelo Governo em novembro das funções de 2º Comandante Operacional Nacional

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, nomeou, no final de fevereiro, para exercer funções de adjunto do presidente da Autoridade de Nacional de Proteção Civil (ANPC), o oficial que mandou parar a fita do tempo nos incêndios de Pedrógão Grande em junho. Trata-se do coronel Albino Tavares, à data 2º Comandante Operacional Nacional e um dos responsáveis pelas operações de combate aos fogos que, na noite de 17 para 18 de junho de 2017, causaram 66 mortes, e que foi exonerado daquelas funções em novembro.

Segundo o jornal "Diário de Notícias" indica, no relatório da Comissão Técnica Independente (CTI) sobre os incêndios de Pedrógão, os peritos escolhidos pela Assembleia da República, descrevem que Albino Tavares, que dirigia o Posto de Comando Operacional em Pedrógão Grande durante as horas mais críticas, ordenou que "os operadores de telecomunicações não deveriam registar mais informações na fita de tempo no SADO acerca dos alertas que ali recebiam" - o que acabou por acontecer às 4.56, na madrugada de 18 de junho - e que a partir daí os alertas "deviam ser comunicados ao Posto de Comando Operacional por telefone e, só depois de validação" inseridos na "fita de tempo".

Esta ordem pode ter subtraído à fita do tempo do SADO informações que poderiam ser importantes para a compreensão de acontecimentos da madrugada de 18 de junho. A CTI admitiu que "para além das falhas de comunicação provocados pela rede SIRESP, pudessem ter havido pedidos de ajuda veículadas através de chamadas efetuadas para o PCO mas que não teriam sido registadas" e que "por este motivo, as informações registadas podem ter impedido que se conheça completamente o que se passou naquele período de tempo, introduzindo uma exceção no procedimento de que deveria ter sido executado de forma inquestionável".

Ouvido pela CTI, Albino Tavares justificou esta sua decisão pelo "excesso de informação" que era produzida a partir do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) e, esta semana, voltou a estar no centro das atenções, ao ser acusado pelo ex-secretário de Estado, Jorge Gomes, por ter transmitido "informações falsas" sobre os meios de combates aos incêndios.