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Santana Lopes: “Se o Governo chegar ao fim da atual legislatura, será inédito e insólito”

rui duarte silva

A possibilidade das eleições legislativas serem antecipadas para maio do próximo ano, segundo Santana Lopes, é uma ideia que começa a ganhar mais tração dentro dos partidos à esquerda no Parlamento

Santana Lopes continua a ter dúvidas que o Governo minoritário de António Costa, apoiado pelo Bloco de Esquerda e o PCP, chegue ao fim da atual legislatura. Para tal, poderão contribuir os dissensos entre PS e comunistas no que toca à legislação laboral e ao Orçamento de Estado para 2019, aponta o social-democrata, num texto de opinião publicado no “Jornal de Negócios” esta quinta-feira.

“Há quem acredite e há quem não acredite que a atual legislatura chegará ao termo constitucionalmente previsto, ou seja, que cumprirá os quatro anos. Sou dos que tem dúvidas, e sempre disse que a questão da legislação laboral poderia ser mais determinante para uma eventual antecipação desse termo do que o Orçamento de 2019”, começa por explicar Santana Lopes.

No início deste ano, o PCP anunciou um novo ciclo da vida política nacional - e isto deve ser tomado como um sinal de afastamento do atual Governo. Por isso mesmo, escreve Santana, caso o Executivo de Costa chegar ao fim da legislatura, “será inédito e insólito”.

“Já um governo minoritário, o primeiro de António Guterres, cumpriu uma legislatura, entre 1995 e 1999. Mas foi sendo viabilizado com a "condescendência" política do PSD, liderado, nesse período de tempo, por Marcelo Rebelo de Sousa. (...) Agora, o Governo minoritário durar uma legislatura inteira, apoiado por partidos com os quais existem grandes clivagens ideológicas e programáticas, é algo nunca visto em Portugal, e mesmo noutros países europeus não me estou a recordar”, lembrou.

A possibilidade das eleições legislativas serem antecipadas para maio do próximo ano, segundo Santana Lopes, é uma ideia que começa a ganhar mais tração dentro dos partidos à esquerda no Parlamento. “Se houver essa antecipação das legislativas [a oposição do PCP] será menos forte, mesmo em caso de grandes divergências, um eventual propósito de algum dos partidos mais à esquerda, de romper com o acordo parlamentar vigente”, frisou. Caso contrário, a Frente Esquerda de uma coligação parlamentar a três pode passar para uma convergência só a dois, o PS e o Bloco de Esquerda, apontou o social-democrata.