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Um dos maiores hospitais privados do país ameaça fechar em abril

O melhor prognóstico para este ano indica que 800 jovens médicos não vão ter lugar no Serviço Nacional de Saúde para iniciarem a especialização

Paulo Vaz Henriques

Se a entrada de um novo investidor falhar e o Estado não pagar a dívida que o empresário garante que existe, Manuel Agonia admite deixar falir os Hospitais Senhor do Bonfim, em Vila do Conde

Há dois meses que os mais de 350 funcionários, inclusive médicos, dos Hospitais Senhor do Bonfim (HSB) – uma das maiores unidades de saúde privada do país –, em Vila do Conde, estão sem receber salários. Caso o Estado não pague a dívida de mais de 500 mil euros que tem para com a instituição, e que está por liquidar há já mais de um ano, o hospital poderá ter de fechar portas em abril, diz Manuel Agonia, empresário responsável pela gestão do complexo hospitalar, em declarações ao “Jornal de Negócios” esta quarta-feira.

“Ando vermelho de vergonha. Estou a dever aos meus funcionários. E se não lhes conseguir pagar morrerei com o desgosto”, confessa.

Segundo o matutino, está em causa a falta de luz verde da tutela para que o Centro Hospitalar Póvoa de Varzim/Vila do Conde possa liquidar serviços prestados pelo Senhor do Bonfim. Na segunda-feira, em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado da Saúde garantiu que desconhecia a existência dessa dívida e disse que ia “procurar ver o que se passa”.

O empresário responsável pela gestão do complexo hospitalar revelou ainda ao “Negócios” que irá esta quarta-feira encontrar-se com um potencial investidor internacional. “Oferecem-me 153 milhões de euros por 50% do capital da empresa, mas querem que eu fique como figura decorativa, sem poder decisório, e despachar alguns dos meus colaboradores. Ora, isso não me agrada”, diz.

Se a entrada do novo investidor falhar e o Estado não pagar a dívida que o empresário garante que existe, Agonia admite deixar falir os HSB. “Se não houver acordo, é o fim. Em abril, fecho o hospital e digo às pessoas para arrastarem o que puderem, que levem o que quiserem”, afirma.