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EDP pagou bónus de 20 milhões ao grupo Lena e à Odebrecht

A decisão de António Mexia de ressarcir a Odebrecht e a Lena com a quantia extra levantou objeções por parte de alguns executivos da EDP, para quem o pagamento “carecia de fundamentação”, escreve o “Público” esta sexta-feira

A EDP terá “dado” um bónus sem qualquer motivo aparente de cerca de 20 milhões de euros ao consórcio luso-brasileiro formado pelas construtoras Lena e Odebrecht, nas contas relativas à construção da Barragem do Baixo Sabor, em Trás-os-Montes, revela o “Público” esta sexta-feira.

De acordo com o matutino, esta quantia que foi paga em 2017, e que carece de justificação oficial dentro da companhia elétrica, foi acordada já depois de a obra ter sido inaugurada, no contexto de uma negociação circunscrita à EDP e às duas empresas de construção.

Mais: a decisão de António Mexia de ressarcir a Odebrecht e a Lena com a quantia extra levantou objeções por parte de alguns executivos da EDP, para quem o pagamento “carecia de fundamentação”, escreve o “Público”.

O orçamento da barragem do Baixo Sabor derrapou significativamente dos valores inicialmente previstos. A princípio, a EDP previa gastar 490 milhões de euros na construção daquela barragem, mas, por fim, os custos da construção da mesma dispararam para os 760 milhões de euros.

Os 270 milhões de euros gastos além das contas iniciais incorporam o extra de 20 milhões “dados” em 2017, bem como as outras compensações exigidas pelas empreiteiras.

A EDP poderia ter levado esta situação para tribunal arbitral, mas não o fez. “Houve custos adicionais que resultaram, essencialmente, de duas circunstâncias: a) atrasos na obra decorrentes das providências cautelares requeridas contra o Estado e b) um conjunto de trabalhos que não estavam especificados nos preços contratuais acordados”, disse fonte da EDP ao matutino.

A mesma fonte, questionada em relação ao valor extra pago pela empresa, não prestou qualquer esclarecimento, ignorando a questão.

O “Público” revela também que o reconhecimento de que podem ter existido irregularidades entre a EDP e as duas construtoras levou António Mexia a proteger-se: encarregou a consultora Ernst&Young de realizar uma auditoria ao plano de barragens.