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António Guterres evoca movimento #metoo no Dia da Mulher

Shannon Stapleton

Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, hoje sabemos que o assédio e o abuso sexuais têm prosperado “nos locais de trabalho, nos espaços públicos, nos lares e em países que se orgulham de seu desempenho em matéria de igualdade de género”.

A promoção dos direitos das mulheres “não é um favor às mulheres”, escreve António Guterres, ex-primeiro-ministro português e atual secretário-geral das Nações Unidas, num texto de opinião no “Público” esta quinta-feira, data em que se comemora o “Dia da Mulher” ao nível internacional.

“A igualdade de género é uma questão de direitos humanos, mas também de todos nós: homens e rapazes, mulheres e raparigas. A desigualdade de género e a discriminação contra as mulheres afetam-nos a todos”, frisou.

Evocando o movimento #metoo, mas sem o referenciar directamente, Guterres lembra que as “desigualdades históricas e estruturais, que permitiram que a opressão e a discriminação florescessem, estão a ser denunciadas como nunca”. “Da América Latina à Europa ou à Ásia, nas redes sociais, em estúdios de filmagens, em fábricas e nas ruas, as mulheres estão a pedir uma mudança duradoura e tolerância zero para ataques sexuais, assédio e discriminações de todos os tipos”, disse.

Segundo o secretário-geral das Nações Unidas, hoje sabemos que o assédio e o abuso sexuais têm prosperado “nos locais de trabalho, nos espaços públicos, nos lares e em países que se orgulham de seu desempenho em matéria de igualdade de género”.

Apesar dos muitos avanços conseguidos, existem ainda sérios obstáculos para resolver desequilíbrios históricos de poder que servem de base para a discriminação e a exploração.

“Com efeito, mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm proteção legal contra a violência sexual doméstica. A diferença salarial global (entre mulheres e homens) é de 23%, chegando a 40% nas áreas rurais, o trabalho não remunerado feito por muitas mulheres não é reconhecido. A representação das mulheres nos parlamentos nacionais é, em média, menos de 25%, e nos conselhos de administração de empresas este número é ainda mais baixo. Sem uma ação concertada, milhões de raparigas serão submetidas à mutilação genital na próxima década”, explicou.