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Isabel dos Santos acusa presidente da Sonangol de ser “mentiroso” e vai avançar com queixa-crime

rui duarte silva

Carlos Saturnino, atual presidente da Sonangol, “lançou-se num ataque direto ao antigo conselho de administração da Sonangol e à minha pessoa em particular. Vou apresentar uma queixa-crime”, revela a empresária angolana

Isabel dos Santos, ex-líder da Sonangol e filha do antigo presidente de Angola, confessa sentir-se perseguida, em entrevista ao “Jornal de Negócios”, esta segunda-feira. “Há uma campanha para atingir a minha reputação.”

Segundo a empresária angolana, Carlos Saturnino, atual presidente da Sonangol, é um “mentiroso” e os 38 milhões de euros (31 milhões de euros) que saíram da empresa petrolífera, já depois desta ter abandonado o cargo, e que agora deram azo a uma investigação da Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola, serviram para pagar aos consultores financeiros, tal como estava estipulado no orçamento, e não para o seu bolso.

Para Isabel dos Santos, é “normal” o facto da PGR de Angola ter aberto um inquérito, na sequência das denúncias à sua gestão da Sonangol feitas pelo atual presidente da petrolífera, Carlos Saturnino.

“Estou completamente confortável com o procedimento em si. Acho que é bem-vindo. Agora, foi com muito espanto que acompanhei as declarações feitas na conferência de imprensa. As palavras do presidente do conselho de administração atual, Carlos Saturnino, para mim, foram chocantes. Faltaram imenso à verdade”, disse.

As acusações de Carlos Saturnino são “completamente infundadas”, frisou. A PGR de Angola abriu um inquérito na sequência de uma denúncia feita pelo atual presidente do conselho de administração da Sonangol a uma alegada transferência irregular de 38 milhões de dólares quando já tinha sido exonerada da liderança da empresa.

“Os 38 milhões de dólares são o pagamento aos consultores. Este montante a que Carlos Saturnino se refere é um valor que está incluído no orçamento dos 90 milhões de dólares [73 milhões de euros] de pagamento a consultores em 2017. E são referentes ao pagamento de faturas de trabalhos executados e entregues”, disse Isabel dos Santos.

“A tomada de posse do novo conselho de administração foi a 16 de novembro de 2017 e a partir dessa data nenhum de nós deu instruções de pagamento algum ou de qualquer operação na Sonangol. Por isso, estas acusações que ele faz são completamente infundadas. Carlos Saturnino é um mentiroso”, explicou.

Isabel dos Santos avança com queixa-crime

Carlos Saturnino “lançou-se num ataque direto ao antigo conselho de administração à Sonangol e à minha pessoa em particular. Vou apresentar uma queixa-crime”, revelou ainda Isabel dos Santos na entrevista ao “Negócios”.

“Estou, neste momento, a trabalhar com advogados nesse sentido e apresentarei essa queixa em função das afirmações e alegações que foram feitas. São difamatórias. Sem dúvida.”