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Investigadores dizem que taxa de desemprego real chegou aos 17,5% no final de 2017

Segundo os investigadores, no pico da crise, no primeiro trimestre de 2013, o desemprego real chegou até aos 28,1%, muito acima dos históricos 17,5% admitidos então pelas estatísticas do INE

Todos os registos estatísticos têm falhas, pois nunca todas as variáveis podem ser contabilizadas com precisão. Os números do desemprego de dezembro revelados pelo INE esta semana, para um grupo de investigadores do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do Instituto Universitário de Lisboa, são exemplo disso. De fora dos números oficiais, ficaram os ditos “desencorajados”, os “subempregados” e os “inativos indisponíveis” para trabalhar.

Em vez dos 8,5% de desemprego no terceiro trimestre do ano, conforme anunciou o INE, a taxa de desemprego “real” ou “redimensionada” terá sido de 17,5% para o mesmo período, de acordo com os cálculos feitos pelos investigadores Frederico Cantante e Renato Miguel do Carmo, do CIES, revela o “Público” esta sexta-feira.

Segundo os investigadores, no pico da crise, no primeiro trimestre de 2013, o desemprego real chegou até aos 28,1%, muito acima dos históricos 17,5% admitidos então pelas estatísticas. Mais: até ao primeiro trimestre de 2015, a percentagem de desempregados esteve sempre acima dos 25% , tendo gradualmente começado a decrescer até aos referidos 17,5% do final de 2017.

“Durante a crise foi-se mascarando a situação real de desemprego até por via de uma alteração de critérios estatísticos que levou à exclusão das estatísticas oficiais de várias realidades sociais ocultas”, aponta Renato Miguel do Carmo, um dos coordenadores do livro “Desigualdades Sociais: Portugal e a Europa”, que vai ser lançado no dia 7 de março, num colóquio comemorativo dos 10 anos de atividade do Observatório das Desigualdades.