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Igreja aconselha abstinência sexual a recasados católicos

António Cotrim / Lusa

Segundo D. Manuel Clemente, os recasados podem “em circunstâncias excecionais” aceder aos sacramentos, mas a Igreja não deve deixar de lhes propor “a vida em continência”

Em abril de 2016, o Papa Francisco publicou a exortação apostólica Amoris Laetitia, na qual desafiava as dioceses dos vários países a porem de parte “a fria moralidade burocrática” e a serem misericordiosas com quem se divorciou ou vive uma união fora do casamento. “Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos”, lia-se. O Papa, escreveu-se na altura por todo o mundo, abriu de novo a porta aos recasados católicos à Igreja.

Contudo, na leitura que faz deste documento, quase dois anos depois, D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa, encontra uma visão mais restritiva inscrita, revela o “Público”.

Esta terça-feira, o patriarca de Lisboa publicou um documento em resposta à exortação de 2016 do Papa, com algumas normas para regular o acesso aos sacramentos de pessoas em “situação irregular” – os ditos recasados.

Estes podem “em circunstâncias excecionais” aceder aos sacramentos, mas a Igreja Católica não deve deixar de lhes propor “a vida em continência”, defendeu. Por outras palavras, a Igreja deve incentivar a abstinência sexual aos casais recasados.

Segundo D. Manuel Clemente, a mensagem do Papa Francisco não é assim tão aberta. Em declarações ao matutino, chama à atenção para o “carácter restritivo” e “condicional” da frase – “Em certos casos, poderia haver também a ajuda dos sacramentos”–, patente nas expressões “em certos casos” e “poderia”.