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Santana: “Bloco central, não. Um dia, quando o PS viabilizar um Governo nosso que não tenha maioria absoluta, aí podemos voltar a conversar”

tiago miranda

Em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta sexta-feira, Santana Lopes assume ser “favorável” a um referendo sobre a Eutanásia, mas assume votar contra devido aos seus “valores cristãos”

Se Rui Rio admite fazer concessões caso não ganhe as eleições legislativas marcadas para 2019, Santana Lopes é mais quid pro quo na hora de pensar o futuro. O PSD não pode fazer pelo PS, o que o PS não fez pelo PSD em 2015.

“Para as próximas eleições legislativas, em primeiro lugar, não há nenhuma hipótese de viabilizar qualquer Governo do PS se não acontecesse aquilo para que eu venho, que é para ganhar as eleições. Nenhuma hipótese. Bloco central, não. Viabilizar Governo PS, não. Terceiro: depois disto, um dia, quando o PS viabilizar um Governo nosso primeiro que, porventura, não tenho a maioria absoluta, aí podemos voltar a conversar e não será, seguramente, já com o dr. António Costa. Não é nada de pessoal. É porque não acredito que ele venha a fazer essa opção, mas se ele quiser fazê-la é lá com ele”, atirou Santana Lopes, candidato à liderança do PSD e ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta sexta-feira.

Para o social-democrata, o atual Governo de António Costa pode nem chegar ao fim da legislatura. “Admito que não chegue, mas não tenho pressa nenhuma nem interesse nenhum que não chegue. Por Portugal, gostava que o Governo mudasse o mais depressa possível, mas o princípio do PPD/PSD é respeitar as legislaturas. Não faremos nada para que isso não aconteça”, disse.

Requalificação de professores em excesso

Há professores em excesso no sistema educativo português, segundo Santana Lopes. Por isso mesmo, faria sentido “alguma reorientação profissional”. “Eu defendo a avaliação dos professores. Este Governo foi muito por aí, acabar com a avaliação de alunos, com a avaliação de professores. Discordo dessas medidas, desse caminho”, começou por dizer.

Consoante as avaliações que fossem feitas, o Estado teria a obrigação de propor aos professores, de acordo com a necessidade do corpo discente existentes, “a sua reorientação profissional por acordo com os próprios, a sua requalificação, pode ser bom para eles”, explicou Santana Lopes.

“Há áreas do Estado que estão carenciadas, há outras em que há excedentes. Normalmente, os excedentes nunca são encontrados em Lisboa, é sempre fora e que levam ao encerramento dos serviços. Mas é a única maneira de o fazer e nas avaliações, mas quer dizer, também os reflexos nos professores que estão ao serviço agora imediatamente essa evolução demográfica não se fará sentir de forma tão intensa”, disse.

Santana é “favorável” a referendo sobre a Eutanásia, mas assume votar contra

“Eu, de facto, tenho uma posição de princípio favorável ao referendo. Mas veremos na altura. A minha posição é clara. Sou contra [a eutanásia], apesar de reconhecer que é uma matéria muito complexa. Mas nos países em que já foi vertida para a legislação essa possibilidade, a experiência demonstra que temos assistido a muitos abusos, chegamos a casos já inaceitáveis, de depressão psicológica e outros por terem de fundamentar esse caminho da eutanásia. É preciso muita prudência. Todos temos obrigação de, acima de tudo, defender a vida”, afirmou.