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Mira Amaral: “VW pode levar produção da Autoeuropa para Marrocos ou República Checa”

Nuno Botelho

Perante o impasse que se vive há meses em Palmela, há um “forte risco” de a Volkswagen fazer as malas, aponta o ex-ministro da Indústria

Mira Amaral, ex-ministro da Indústria de Cavaco Silva e um dos principais responsáveis pela vinda da fábrica Autoeuropa para Portugal, vê com preocupação a atual situação da empresa. Em declarações ao “Diário de Notícias” esta terça-feira, pede “bom senso” aos trabalhadores e aos responsáveis sindicais, mas profetiza consequências trágicas caso as greves sucessivas se mantenham.

Perante o impasse que se vive há meses em Palmela, há um “forte risco” de a Volkswagen fazer as malas e partir para outras paragens, assume mesmo Mira Amaral. “A Volkswagen fez um grande investimento na Autoeuropa e não vai sair de Portugal enquanto não estiver amortizado. Mas a partir desse momento, se não houver juízo, a Autoeuropa está em situação de desvantagem em relação a outras fábricas que ficariam encantadas por receber novas produções. Estou a lembrar-me da República Checa e de Marrocos, que está a ter uma expansão fabulosa e tem recebido investimentos da indústria automóvel europeia”, alerta.

Segundo o ex-governante, as pessoas têm de perceber que a Autoeuropa compete com outras fábricas do mesmo grupo alemão. “Quando a produção deste modelo acabar ou quando for preciso produzir outro modelo, vão aparecer responsáveis de outras fábricas com argumentos que a Autoeuropa não tem depois deste período de greves e de irrealismo laboral”, sublinha.

Para Mira Amaral, não se percebe o braço de ferro dos sindicatos e da empresa. “A VW faz um investimento fabuloso num produto que já se sabe que vai ter grande aceitação. Criou mais postos de trabalho. Os trabalhadores da Autoeuropa têm, no contexto português, salários superiores a muitos colegas de outras fábricas. A fábrica tem todas as condições para singrar. Não querem trabalhar ao sábado? Pelo amor de Deus. Temos de ser realistas”, conclui.