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Rio admite apoiar Governo socialista minoritário. “É aquilo que o PS deveria ter feito, deixar governar o partido mais votado”

Segundo o candidato à presidência do PSD, a reforma do sistema educativo e da Segurança Social “são imperativos éticos” para o país

Se nas eleições legislativas marcadas para 2019 for o PS que ganhe, mas sem maioria absoluta, Rui Rio está disposto a dar uma mão e chegar-se ao centro, admitiu o candidato à liderança do PSD, em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta segunda-feira.

“Aquilo que me parece mais razoável é nós estarmos dispostos para, a nível parlamentar, suportar um Governo minoritário, seja ele qual for, neste caso o do PS. Que é aquilo que o PS deveria ter feito, suportar de forma crítica naturalmente, mas deixar passar e governar o partido mais votado”, assumiu Rui Rio.

De acordo com o social-democrata, o Governo do PS com o apoio dos partidos da esquerda é “democraticamente legítimo, constitucionalmente perfeito e legítimo”, mas teria sido mais saudável permitir a coligação PSD/CDS, que tinha tido mais votos, governar. “Se, por acaso, eu ganhar as eleições, como o CDS, que é o aliado mais natural, não conseguirmos constituir uma maioria absoluta, conseguir que o Governo minoritário tenha apoio parlamentar - tal como sempre foi desde o pós-25 de Abril - para governar”, disse.

Santana Lopes, o candidato ex-primeiro-ministro

Para Rui Rio, o seu adversário nas eleições internas do PSD tem demasiada bagagem, um historial político que não irá jogar a seu favor na hora de concorrer ao cargo de líder de Governo. Santana Lopes já lá esteve e saiu-se mal. Mais: na hora de votar, os militantes também deviam ter em atenção quem é mais popular fora do partido e junto dos portugueses. Ou seja, o próprio.

“Se os militantes escolherem aquele que têm mais aceitação junto do povo português obviamente que essa tarefa está mais facilitada. Se fizerem o contrário, não quer dizer que seja impossível que o candidato A ou B não chegue a primeiro-ministro, agora é muito mais difícil, na situação em que um deles até já lá esteve e correu muito mal. E, perante toda aquela má experiencia, se ele voltar a ser o candidato a primeiro-ministro, todas essas fragilidades vêm ao de cima, vai ser muito complicado”, atirou.

Reformas da educação e segurança social são “imperativos éticos”

À falta de um programa de Governo, os portugueses (e em particular os militantes do PSD) vão-se contentando com os pequenos fragmentos de medidas políticas que os dois candidatos à liderança do PSD vão revelando. Em entrevista esta segunda-feira, Rui Rio voltou a afirmar, tal como consta na sua moção de candidatura, que a reforma da Educação e da Segurança social “são imperativos éticos” para o país – e deu algumas explicações.

Segundo o social-democrata, deve-se procurar um acordo estrutural que defina as bases do sistema educativo, com a participação da sociedade civil, de tal maneira que não se “tenha que andar a mudar cada vez que muda um Governo ou a mudar um ministro do mesmo Governo”.

“Temos de redimensionar a rede escolar de acordo com o que são as necessidades actuais, olhando com cautela àquilo que é o interior do país. Não podemos cair em exageros em ter escolas para três ou quatro, ou cinco, 10 ou 15 crianças, mas também não podemos fazer as contas de forma rentável. Temos de saber fazer este equilíbrio porque temos um Portugal a desaparecer que é o do interior. Digo isto não porque houve incêndios há uns meses, mas porque conheço essa realidade, e é algo que me perturba há muitos anos ver um país todo centralizado não só no litoral como na capital”, disse.

Quanto à Segurança Social, Rio disse não compreender como os partidos “não põem de lado aquilo que possam ser os seus pequenos interesses tácticos quando o que aqui está em causa é um problema que daqui a 15, 20, 30 anos vai ser um problema grande”.

Uma possível solução seria que parte das pensões de reforma passassem a estar dependentes do crescimento da economia ou da evolução do desemprego.

“Uma parte pequena da reforma – mas com efeito no total - pode estar indexada, por exemplo, a uma taxa de desemprego, a uma taxa de crescimento do PIB – pode estar indexada a três ou quatro factores. E, portanto, [o pensionista] sabe que a sua pensão abaixo de ‘x’ nunca desce, mas depois pode ser um bocadinho mais ou um bocadinho menos”, sugeriu Rui Rio.