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Cristas suspeita de interesses da “família socialista” na entrada da Santa Casa no Montepio

Santana Lopes deu sequência às negociações com o Governo para a entrada da Santa Casa no Montepio, mas apresentou condições: “que entrassem outras entidades da área social”, que fosse feito um estudo “de que não temos conhecimento”, lembrou Assunção Cristas. Nenhuma destas medidas chegou a concretizar-se

Há muitos detalhes ainda por explicar sobre a entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no Montepio, queixou-se Assunção Cristas, líder do CDS-PP, em entrevista ao “Público” e à “Renascença” esta quinta-feira.

Santana Lopes, candidato à liderança do PSD e ex-provedor da Santa Casa, deu sequência às negociações com o Governo, mas apresentou condições: “que entrassem outras entidades da área social”, que fosse feito um estudo “de que não temos conhecimento”, lembrou Cristas. Nenhuma destas duas medidas chegou a concretizar-se.

“Sem mais esclarecimentos, a nossa posição só pode ser frontalmente contra este negócio, que achamos pouco esclarecido, pouco transparente”, revelou a líder do CDS.

A culpa da obscuridade deste negócio? É do Governo. “O Governo tem a tutela da Santa Casa. E a Santa Casa, obviamente, não faz um negócio sem passar cartão ao Governo - como o Governo quer fazer crer. Veja as relações entre a Santa Casa, o Montepio e o atual provedor da Santa Casa e as dúvidas ainda se adensam mais”, atirou Assunção Cristas.

“Olhe para quem está de um lado, olhe para quem está do outro. Olhe para a grande família socialista. E no fundo, o que me é dado pensar, é que isto é tudo elaborado com muita facilidade entre uns e outros, chegando a soluções que não têm os reais interesses dos portugueses em primeiro lugar”, reiterou.

Entre Rio e Santana, escolha o PSD

Em entrevista à “Renascença”, Assunção Cristas recusou-se em desvendar qual dos dois candidatos à liderança do PSD que se sente mais próxima. “Não tenho preferência, genuinamente, não os conheço sequer o suficiente para ter preferência”, afirmou.

Mais: nas eleições legislativas marcadas para 2019, o CDS deve concorrer sozinho, ao contrário do que aconteceu em 2011 e 2015, quando esteve coligado com o PSD. “Entendo, olhando historicamente, foi nos momentos em que PSD e CDS estiveram separados que tiveram os melhores resultados. Acredito que é possível maximizar o resultado do centro-direita com dois partidos a disputarem eleições – e a conseguirem chegar a um leque mais alargado de pessoas. E, portanto, pré-eleitoralmente as coisas são para mim muito claras. Pós-eleitoralmente também: faz sentido haver uma alternativa com estes dois partidos”, apontou Cristas.

Mas isso também não significa uma aproximação ao Governo. Segundo a líder centrista, o PS “não tem nenhuma vontade de estabelecer pontes”, pelo menos com o CDS. “Tem que haver uma alternativa a esta governação, que tem que ser do centro-direita. Faz sentido que seja com o PSD, que é o parceiro natural com quem temos uma história em comum”, disse.

Centeno “não falha na questão orçamental”

Para Assunção Cristas, a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo não é um problema para o CDS ou PSD, mas sim para o BE e PCP, nem vem terminar com as críticas de que o ministro das Finanças era alvo.“Mário Centeno não falha na questão orçamental, acho muito legítimo que as escolhas [do PS] sejam diferentes. O que tem sido a crítica do CDS é a falta de transparência deste Governo”, disse.

A líder centrista recusou ainda a tese de ter dito muitas vezes, à semelhança do PSD, que as contas de Centeno iam falhar. “Não, não, não. Nós por acaso nunca tivemos esse discurso. O que dissemos sempre é que era uma austeridade "à lá esquerda", o que é muito diferente. Sinalizamos o aumento de impostos indirectos, feito de uma forma muito hábil: aquilo que as pessoas sentem no recibo de vencimento vem de uma maneira, mas aquilo que pagam por via indirecta é de outra. E tínhamos razão: a carga fiscal não diminuiu. Há uma austeridade encapotada, que vem por essa via dos impostos indiretos e por uma despesa claramente contida – e não me digam que está controlada, porque a questão é qual o nível de qualidade que os portugueses querem e a própria esquerda defendem para determinadas áreas. Não é possível ver o BE a defender que o orçamento da Cultura é uma vergonha. No Ensino Superior houve um corte de 42 milhões de euros. Isto é austeridade, de outra maneira. Com formas habilidosas…”, disse.

Como compensar a perca da taxa sobre a Protecção Civil? Não com um aumento da taxa turística

“Nós achamos que é possível olhar para todas as receitas e despesas do orçamento – e repare que temos visto um crescimento sistemático de todas as receitas da CML, quase 50% de aumento de receitas em quatro anos. O que significa que é possível à Câmara viver com menos verba, fazendo certamente escolhas diferentes. Entendo que o debate sobre a taxa turística deve ser sobre a sua boa aplicação – e enquanto não sentirmos que há uma boa aplicação da taxa turística, por exemplo, na higiene urbana, mobilidade (com reforço de carreiras para as zonas turísticas) e segurança, certamente não vamos defender um aumento da dita taxa turística. Ela ser usada a fechar as obras do Palácio da Ajuda ou para o Pilar da Ponte, não me parece que seja uma boa aplicação dessa verba. É necessário certamente fazer outras escolhas”, defendeu.