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Francisco Pedro Balsemão: compra da TVI pela Altice resultaria num “híbrido tentacular” com poder para “esmagar a concorrência”

José Oliveira

Após o anúncio da proposta da Altice pela TVI, o CEO da Impresa recorreu a Marcelo e a António Costa para discutir o negócio em causa. “Que eu saiba, nada foi desencadeado após essas reuniões”, diz

A venda da TVI à Altice tem de voltar à ERC, pois o “híbrido tentacular” que resultaria da compra ficaria com o poder, devido às suas dimensões, de “esmagar a concorrência”, defende Francisco Pedro Balsemão, presidente-executivo do grupo Impresa, em entrevista ao “Público” esta segunda-feira.

O resultado desta operação “seria o de fazer com que os concorrentes deixassem de prestar os seus serviços ou então que se tornassem ocos e vazios e mais facilmente dominados por terceiros com outro tipo de agendas políticas e mediáticas”, salienta o CEO do grupo que detém o Expresso e a SIC, entre outros media.

Mais: “Não pode haver um processo com esta magnitude e complexidade, cujo impacto sobre o pluralismo não seja avaliado pela entidade reguladora da comunicação social. É a maior operação de sempre no que respeita a fusões e aquisições em Portugal no sector, pelo que é inultrapassável que passe pelo crivo desta entidade. É a ERC a entidade competente para fazer essa avaliação”, acentua.

Após o anúncio da proposta da Altice pela TVI, Francisco Pedro Balsemão recorreu a Marcelo Rebelo de Sousa e a António Costa para discutir o negócio em causa. “Nós falamos com os decisores políticos sempre que há temas importantes. Que eu saiba, nada foi desencadeado após essas reuniões. O que dissemos na altura é aquilo que também estou a dizer neste momento – que é preciso aplicar a lei e para a mim a lei é clara, a operação não pode deixar de passar pela ERC e não pode haver dúvidas sobre a questão do pluralismo”, explica.

Para o presidente do grupo Impresa, é “extraordinário que haja este silêncio ensurdecedor por parte dos decisores políticos em relação a uma operação com esta dimensão”.

“Estamos perante a possibilidade de a maior empresa de telecomunicações em Portugal comprar um dos maiores grupos de comunicação social, com actividades muito bem sucedidas na área da televisão, rádio e Internet e ninguém está a falar sobre isso neste momento. Não há um debate político sobre este tema”, atira.