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Duas empresas desistiram de investir depois de o BE ter anunciado a taxa sobre renováveis

Marcos Borga

Segundo a Associação das Energias Renováveis, cerca de 90% do investimento em renováveis em Portugal vem de fora

Para preservar o investimento estrangeiro. É esta a narrativa que corre todos os matutinos para justificar o recuo surpresa do Governo, na votação final global do Orçamento do Estado, na segunda-feira, perante a proposta do BE sobre a taxa da energia, que, supostamente, havia sido acordada 24 horas antes. (Mais AQUI sobre esta situação.)

De acordo com o “Diário de Notícias” desta quarta-feira, duas empresas estrangeiras desistiram de investir em Portugal depois de terem tido conhecimento da proposta do Bloco de uma contribuição extraordinária nas renováveis. Esta informação foi avançada ao matutino pela Associação das Energias Renováveis (Apren).

“Dois associados nossos iam investir cem milhões de euros de capitais próprios em parceria com investidores estrangeiros. Estamos a falar de um investimento total na ordem dos 300 ou 400 milhões de euros que já não vêm. Um desses empresários estava desesperado porque já havia compromissos e caiu tudo. Não é só o dano que causa às empresas que está em causa, mas também a reputação do país”, revela António Sá da Costa, presidente da Apren, em declarações ao matutino.

Segundo a Apren, cerca de 90% do investimento em renováveis em Portugal vem de fora.

Se a taxa defendida pelo Bloco de Esquerda tivesse sido aprovada, o responsável da Apren previa um cenário catastrófico. “Fazendo as contas, e considerando as médias do sector, não tenho dúvidas de que quase todas as empresas iriam abrir falência se isto fosse para a frente”, assegura.

“Estaria a tributar-se as receitas e não os lucros. Logo, as empresas ficariam sem liquidez para fazer face aos compromissos”, justifica.