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Presidente do Infarmed: ministro da Saúde disse que mudança era uma “intenção”

Para Maria do Céu Machado, uma transferência para o Porto iria afetar profundamente a qualidade do trabalho da instituição por si liderada

Maria do Céu Machado, presidente do Infarmed, foi apanhada de surpresa com o anúncio, feito na semana passada, da deslocalização do Infarmed para o Porto, notícia que surgiu depois de a candidatura para a sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA] ter falhado. “O dossier final da candidatura não refere nada em relação a uma saída do Infarmed de Lisboa”, garantiu em entrevista ao “Público” esta segunda-feira.

A afirmação contraria o que foi dito por António Costa na sexta-feira passada em entrevista à “Antena 1”. Nela, o primeiro-ministro havia assegurado que esta mudança já estava prevista há muito tempo e fazia parte do dossier de candidatura à EMA. “Conheço bem o dossier de candidatura à EMA e não encontro nada que refira mudança do Infarmed, mas sim apoio e alocação de recursos. Fosse qual fosse a cidade escolhida, o Infarmed ia dar todo o apoio, obviamente, técnico”, disse Maria do Céu Machado.

A surpresa, após as notícias publicadas nos meios de comunicação, foi total. “Tenho um telefonema do senhor ministro às 8 da manhã do dia 21 de Novembro, dizendo ‘ontem tive uma reunião com o senhor primeiro-ministro e decidimos que o Infarmed ia para o Porto. Posso contar consigo? Pediu para reunir os dirigentes do Infarmed às 16 horas, porque ia anunciar no encerramento da reunião do Health Cluster Portugal e queria que, ao mesmo tempo, eu falasse com os dirigentes. Marquei uma reunião para as 16 horas. Tive de sair para uma reunião e estava no carro quando comecei a ouvir na rádio que tinha havido um comunicado da Câmara do Porto a referir que ia haver uma saída do Infarmed para o Porto”, revelou.

Em volta desta notícia gerou-se uma onda de preocupação interna no Infarmed. Para lidar com essa situação, o ministro Adalberto Campos Fernandes disponibilizou-se para falar com os trabalhadores.

“Na noite de terça-feira [dia 21 de novembro] voltei a ter uma conversa telefónica com o senhor ministro, que já tinha ideia que havia uma grande ansiedade por parte dos trabalhadores e propôs-me receber a comissão de trabalhadores. (...) O senhor ministro disse que percebia, de certa forma, que isto era uma notícia surpresa e que não era uma decisão, era uma intenção. Várias vezes repetiu isso. Quando o ouço dizer que é uma intenção, que vamos ter de fazer uma avaliação do impacto, eu confio que seja intenção e não decisão e que haja uma avaliação de impacto financeiro, social, relativa à actividade nacional e internacional e à saúde pública”, revelou Maria do Céu Machado.

Para a presidente do Infarmed, uma mudança para o Porto iria afetar profundamente a qualidade do trabalho da instituição por si liderada. “Se nós perdermos mais de 70% dos nossos trabalhadores não podemos garantir a qualidade do trabalho que fazemos nas áreas do medicamentos, dispositivos médicos e cosméticos…”, disse.

Ainda na mesma entrevista, Maria do Céu Machado revelou que quando recebeu o convite para presidir o Infarmed em março deste ano, o ministro Adalberto Campos Fernandes apontou-lhe três missões. “A primeira trazer a Agência Europeia do Medicamento (EMA) para Lisboa, a segunda fazer obras de ampliação no Parque Saúde de modo a que o Infarmed pudesse aumentar as suas competências e a terceira criar a agência de investigação em ciências biomédicas que teria a sede no Parque Saúde de Lisboa”, disse.